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SENAI

Notícias

Mulheres foram chave no desenvolvimento da ciência do Brasil

No Brasil, importante estudo das professores Hildete Pereira de Melo, do Departamento de Economia da Universidade Federal Fluminense, e da professora Ligia M. C. S. Rodrigues, do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas, publicado pela SBPC – Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência em 2006[1] – revelou-nos quem foram as cientistas pioneiras do país.

 

“A ciência é andrógina e branca, a matriz eurocêntrica. Isso foi o que nos moveu”, esclareceram as professoras sobre o que as levou a dar visibilidade às mulheres à frente da ciência do Brasil, que é, em geral, muito recente.

 

E quem são as pioneiras da ciência do Brasil? A lista das professoras Hildete e Ligia traz 19 nomes:

 

A obstetra Maria Josephina Matilde Durocher (1809-1893) ingressou no curso de obstetrícia prática da Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro em 1834, em um tempo em que não se admitiam mulheres nas faculdades de medicinas. Foi a primeira aluna da turma e reconhecida no meio médico, sendo nomeada em 1871 por D. Pedro II a Academia Nacional de Medicina e durante cinco décadas foi a única mulher admitida nessa instituição. Madame Durocher clinicou durante 60 anos e teve a mais importante clínica obstétrica da corte do Rio de Janeiro do século XIX.

 

A médica psiquiatra Nise da Silveira (1905-1999) teve seu trabalho pioneiro de pesquisa sobre o tratamento da doença mental através da arte-terapia reconhecido internacionalmente. As imagens da produção artística dos internos foram reunidas no Museu de Imagens do Inconsciente, fundado por ela em 1952. Alguns dos artistas por ela revelados alcançaram renome internacional, como Arthur Bispo do Rosário. Nise dedicou a vida a lutar contra os tratamentos psiquiátricos agressivos, como choques e lobotomia.

 

Vida de Nise da Silveira foi recentemente adaptada para os cinemas brasileiros.

 

A física Neusa Amato (1926-2015) trabalhou com a detecção de raios cósmicos de altas energias e foi durante muitíssimos anos a responsável pela manutenção do Laboratório de Emulsões Nucleares do CBPF e pela colaboração Brasil-Japão, no Rio de Janeiro.

 

A física Elisa Frota-Pessoa (1921 -2018) foi a segunda mulher (junto com Sonja Ashauer) a se graduar em física no Brasil – a primeira foi Yolande Monteux. Elisa fez parte do grupo de pioneiros da física brasileira, que se graduaram no início da década de 40, como José Leite Lopes, Jayme Tiomno, Cesar Lattes, Marcelo Damy, Mario Schenberg e Bernardo Gross.

 

A física Sonja Ashauer (1923-1948) foi uma mente brilhante da física mundial, com talento extraordinário para a física teórica. Foi, também, a primeira brasileira a concluir o Doutorado em Física, em fevereiro de 1948, na Universidade de Cambridge, na Inglaterra. Infelizmente, ao retornar ao Brasil, faleceu precocemente aos 25 anos.

 

A matemática Elza Furtado Gomide (1925-2013) foi primeira mulher a graduar-se em matemática numa instituição brasileira. Elza considerava que sua maior contribuição para a matemática brasileira foi, por um lado, o estímulo que deu a vários estudantes e, por outro, sua participação no Fórum das Licenciaturas, organizado pela USP em 1990. Esse Fórum promoveu amplo debate sobre a profissão de professor e o papel da universidade na formação de profissionais qualificados.

 

A matemática Marília Chaves Peixoto (1921-1961) teve seus trabalhos em conjunto sobre funções convexas reconhecidos internacionalmente. Em 1951 foi eleita para a Academia Brasileira de Ciências, sendo efetivamente a primeira mulher a ingressar nos quadros daquela instituição.

 

A economista Maria da Conceição de Almeida Tavares (1930-*) é considerada por muitos a mais brilhante economista brasileira. Foi uma estudiosa da desigualdade, da democracia nos trópicos e afirmava que o Brasil não suporta teses progressistas definitivas, é sempre recorrente: quando se pensa que uma coisa acabou, ela volta.

 

Maria da Conceição Tavares

 

Um dos seus ensaios mais brilhantes “Auge e Declínio do Processo de Substituição de Importações”, publicado em 1972, é um marco no estudo do processo de industrialização do Brasil e tornou-se um clássico na literatura econômica da América Latina. Suas obras “Acumulação de Capital e industrialização do Brasil”(1975) e “Ciclo e Crise: o movimento recente de economia brasileira” são obras obrigatórias no ensino de economia, no país.

 

Maria da Conceição de Almeida Tavares foi deputada federal pelo PT/RJ entre 1995 e 1999, destacando-se como uma crítica feroz da política econômica do governo, chamando a atenção para os riscos da política cambial e para a destruição do patrimônio público nacional.

 

A psicóloga Carolina Martuscelli Bori (1924-2004) entre 1986 e 1989 presidiu a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, destacando-se na tarefa de divulgar a ciência para o público em geral. Após o término de seu mandato na presidência da SBPC, Carolina Bori foi aclamada presidente de honra da entidade.

 

A professora Carolina teve um papel importante na implantação e consolidação da psicologia no Brasil, havendo liderado o movimento que defendeu a regulamentação da profissão de psicólogo no país, em 1962.

 

A historiadora Alice Piffe Canabrava (1911-2003) relata, no livro “Pioneiras da USP”, a discriminação que sofreu pelo atrevimento em concorrer a uma vaga naquela Universidade. Concorreu em 1946 e todos vinham indagar se ela estava realmente disposta a fazer isso. Alice obteve a nota mais alta no conjunto de provas, mas tendo havido empate na votação entre os membros da banca, o cargo foi entregue ao outro candidato, do sexo masculino.

 

A historiadora Eulália Maria Lahmeyer Lobo (1924-2011) defendeu a primeira tese de doutorado em história no Brasil e alçou o cargo de Professora Titular de História das Américas, no Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da UFRJ, em 1967. Presa durante a ditadura militar, levada ao gabinete do Comandante, constrangeu-lhe dizendo: “O Exército que combateu a caça aos escravos, que proclamou a República, vem agora prender os cidadãos que não estão armados… não estão alterando a ordem pública. O Exército, que tem tantas tradições gloriosas, está reduzido a isso?”. Na prisão iniciou seus escritos sobre a história da América Latina. Com a anistia, foi reintegrada na UFRJ.

 

A química Blanka Wladislaw (1917-2012), em 1949, doutorou-se em química pela USP com uma tese sobre novas reações no campo de compostos de enxofre. Foi eleita, em 1974, membro da Academia de Ciências de São Paulo; em 1973, membro titular da Academia Brasileira de Ciências, da Associação Brasileira de Química, da Sociedade de Química de Londres e da Sociedade Brasileira pelo Progresso da Ciência; é membro da Royal Society of Chemistry (MRSC). Recebeu prêmios e comendas nacionais e estrangeiras, entre os quais a Ordem Nacional do Mérito Científico e o Prêmio Rheimboldt-Hauptmann.

 

A agrônoma Johanna Döbereiner (1924-2000), tcheca radicada no Brasil, trabalhou a vida toda na Embrapa, fez importantes descobertas sobre a fixação de nitrogênio em leguminosas tropicais que dispensaram o uso de fertilizantes em cultivos, o que possibilitou economias financeiras estratosféricas bem como que o Brasil se tornasse um grande produtor de soja. Foi indicada ao Nobel de química em 1997 e teve assento na Academia de Ciências do Vaticano.

 

A agrônoma Victória Rossetti (1917-2010) foi a primeira mulher a concluir um curso de agronomia no estado de São Paulo e a segunda no Brasil, no ano de 1939. No Instituto Biológico do Estado de São Paulo desenvolveu toda a sua carreira profissional dedicando-se à pesquisa das doenças dos citros.

 

A parasitologista de fama internacional Maria José von Paumgartten Deane (1917-1995) percorreu o país de ponta a ponta. Hoje, ela e o marido dão nome ao centro de pesquisas da FIOCRUZ na Amazônia: o Centro de Pesquisas Leônidas e Maria Deane.

 

A bióloga Marta Vannucci (1921-*) é uma das mais renomadas pesquisadoras dos sistemas de manguezais do mundo.

 

A bióloga Ruth Sonntag Nussenzweig (1928-2018) fez uma grande descoberta, demonstrando em animais de laboratório que era possível obter proteção contra o parasita causador da malária. Esta descoberta, publicada na Revista Nature, em 1967, gerou grande entusiasmo internacional e serviu de base para as pesquisas que visavam desenvolver uma vacina contra a malária.

 

Bertha Lutz, bióloga e ativista feminista

 

A bióloga e ativista feminista Bertha Lutz (1894-1976)foi expoente da luta pelo voto feminino no Brasil e manteve-se ao longo da segunda metade do século XX fiel à luta das mulheres pela cidadania.

 

A botânica Graciela Maciel Barroso (1912-2003) é conhecida como a “primeira grande dama da botânica brasileira”, tendo sido professora de quase todos os botânicos brasileiros, nos seus mais de 50 anos de atividade didática. Em sua homenagem, mais de 25 espécies vegetais identificadas nos últimos anos foram batizadas com seu nome. Seu livro “Sistemática de angiospermas do Brasil” é uma referência internacional sobre o assunto, sendo adotado em todas as universidades brasileiras. Eleita para a Academia Brasileira de Ciência, sua posse estava marcada para o dia 4 de junho de 2003, mas faleceu no dia 5 de maio daquele ano.

Projeto Mulheres na Ciência

 

Inspirado no trabalho das professoras Hildete e Ligia, o projeto Mulheres na Ciência do CNPq traz anualmente novas edições do “Pioneiras da Ciência no Brasil”, já tendo sido publicadas sete edições disponíveis[2], ao todo já tendo sido homenageadas 89 mulheres cientistas brasileiras.

 

Aponta-se que, muito embora nenhum cientista brasileiro tenha sido laureado com o Nobel, pelo menos três brasileiras fariam jus ao prêmio: Nise da Silveira (1905-1999), Ruth Nussenzweig (1928-2018) e Celina Turchi (1952-*), esta última, a epidemiologista pesquisadora da FIOCRUZ que descobriu a relação entre a microcefalia e o vírus Zika, sendo eleita em 2017 pela Revista Time como uma das 100 personalidades mais influentes do mundo.

 

Jovens Cientistas

 

Em que pese as mulheres tenham aproveitado todas as oportunidades e ocupado os espaços que lhes foi permitido durante todos esses dezesseis séculos de exclusão e discriminação, sendo notáveis as conquistas alcançadas – como depreendemos da breve digressão histórica desenvolvida até aqui, notadamente na primeira parte deste texto -, a vida da mulher cientista continua não sendo fácil, a exemplo do desabafo da jovem cientista Juliana Davoglio Estradioto, grande promessa da ciência brasileira, na epígrafe desse texto.

 

Juliana tem apenas 18 anos e é a primeira jovem brasileira da história a ser selecionada a acompanhar a cerimônia de entrega do prêmio Nobel.

 

É ganhadora de vários prêmios por suas pesquisas científicas na área de sustentabilidade, realizadas ainda durante o ensino médio, quando desenvolveu um plástico biodegradável a partir da casca do maracujá, demonstrou que a morte de peixes e a poluição no Rio do Sinos/RS é decorrente do descarte inapropriado de corantes pela indústria têxtil e transformou casca de macadâmia em substrato para microorganismos com intuito de produzir energia e celulose.

 

A jovem cientista já representou o Brasil por duas vezes na Feira Internacional de Engenharia e Ciência, nos EUA, onde já ganhou uma bolsa de estudos, e em 2018 foi selecionada para representar o Brasil no Seminário Internacional de Jovens Cientistas de Estocolmo. A viagem ocorrerá em dezembro de 2019, quando Juliana exporá suas pesquisas, visitará universidades, conhecerá a família real sueca e acompanhará a entrega do Nobel juntou com outros 24 jovens cientistas selecionados pelo mundo.

 

Juliana é, ainda, uma grande entusiasta do incentivo à ciência no ensino básico, o que pretende promover com programas que incentivem a participação de jovens na ciência. Segundo ela, “o sistema educacional e os adultos é que vão cortando a ciência das crianças. É uma pena”.

 

E, para evitar que meninas passem por situações de discriminação de gênero, como ela própria já passou, criou o projeto “Meninas Cientistas”. Ela alerta que “Ainda que mulheres e meninas estejam ocupando seu espaço no mundo científico, os exemplos de cientistas que as crianças possuem dizem respeito ao estereótipo de homem de cabelo branco usando jaleco no laboratório. Normalmente os mais famosos são Newton, Einstein, Galileu Galilei e até um nome mais moderno, Stephen Hawking”.

 

Há outras duas jovens cientistas brasileiras que, se você ainda não conhece, precisa conhecer: Gabriela Barreto Lemos e Tabata Amaral de Pontes.

 

Gabriela Barreto Lemos, então com 32 anos, revolucionou a física com sua fotografia quântica há quatro anos, em Viena, no prédio que já foi ocupado por Marie-Curie.

 

Pesquisadora de ótica quântica, ela registrou, pela primeira vez, a imagem de um objeto que nunca viu a luz. Seu experimento registrou imagens oriundas não da reflexão da luz, mas de uma espécie de “telepatia” entre partículas, conhecida como emaranhamento quântico, classificado por Einstein como “assustador”.

 

Com isso, Gabriela provou, pela primeira vez, com resultados concretos, que partículas que não tem nenhuma conexão física podem compartilhar informações. Seu experimento foi publicado na revista Nature e ganhou reconhecimento internacional.

 

Entre 2016-2017 Gabriela foi, também, uma das três únicas cientistas mulheres, em 160 anos, a ocupar o cargo de cientista residente na Escola do Instituto de Arte de Chicago. Gabriela será uma das cinco agraciadas deste ano de 2019, nas comemorações pelo Dia Internacional da Mulher, com a Medalha Mietta Santiago da Câmara dos Deputados.

 

Já a jovem Tabata Amaral de Pontes (1993-*) é astrofísica e cientista política bolsista graduada com honras máximas na Harvard College e com apenas 25 anos de idade elegeu-se à Câmara dos Deputados, para a legislatura 2019-2022, como a deputada federal mais jovem da história do Brasil. É co-fundadora do projeto Voa!, que prepara alunos de escolas públicas para olimpíadas científicas, também do projeto ACREDITO, um movimento de renovação política, e do MOVIMENTO MAPA EDUCAÇÃO, que fiscaliza políticas públicas educacionais e realiza debates para tornar a educação uma prioridade na agenda nacional.

 

Em seu discurso inaugural na Câmara dos Deputados, em 14/02/2019 – na semana em que comemoramos o dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência -, Tabata contou que viveu o poder da transformação da educação com a ajuda de professores que acreditaram nela. Durante a vida, ela não viu apenas a importância da educação, como também viu muito de perto a falta que a educação faz, pois cresceu pobre, na periferia, perdeu o pai para as drogas e muitos amigos e vizinhos para a violência e para o crime. Nesse contexto, não virou ativista por lhe parecer interessante.

 

“Eu fui feita uma ativista”, disse Tabata em seu já memorável discurso.

 

Ela nos concita a falar de uma escola onde os jovens aprendam a sonhar, e não tenham seus sonhos destruídos, arrematando: “A gente está em um país em que o tamanho dos sonhos e até onde você pode chegar depende de onde você nasceu, depende da cor de sua pele, depende do seu gênero”.

 

De fato, se o preconceito de gênero é sentido na ciência, que dirá o de raça, num país historicamente colonial e escravagista e de tantas desigualdades, como o Brasil. A ciência feminina que existe é, ainda, maciçamente branca. Pesquisadoras do jaez da filósofa política e ativista do feminismo negro Djamila Ribeiro (1980-*) começam a mudar o rumo dessa história.

 

Iniciativas e lideranças que acreditam na educação, como as de Tabata e Djamila, tem o potencial de mudar um quadro de desigualdade de gênero, e também de raça, nas áreas do conhecimento que é realidade não só no Brasil.

Mestrados e Doutorados

 

De acordo com um estudo levado a cabo em 14 países, a probabilidade de mulheres obterem o grau de licenciatura, mestrado e doutoramento em campos relacionados com a ciência é de 18%, 8% e 2%, respectivamente; enquanto que as percentagens masculinas são de 37%, 18% e 6%.

 

A historiadora da ciência Margaret Rossiter (1944-*) formulou dois conceitos que ajudaram a entender o porquê da pequena presença feminina e das desvantagens da mulher na ciência. Rossiter cunhou os termos “segregação territorial” para a constatação de que as mulheres se agrupam em determinadas disciplinas científicas e “segregação hierárquica” para a constatação de que, quanto mais se sobe na cadeia de comando em um campo de conhecimento, menor a presença de mulheres.

 

Esta colunista não poderia deixar de mencionar que essa tal “segregação hierárquica” constatada por Rossiter é muito sentida nas ciências jurídicas, dentro mesmo do Poder Judiciário, uma vez que, embora, no quadro geral nacional, haja 37% de mulheres em cargos de juízas – havendo estados da federação (como o Rio de Janeiro) nos quais as juízas mulheres integram praticamente 50% do quadro – temos que dos 11 ministros do STF – Supremo Tribunal Federal, apenas duas são mulheres (18%), dos 33 ministros do STJ – Superior Tribunal de Justiça, apenas 6 são mulheres (19%) e no maior Tribunal de Justiça do país, em São Paulo, há apenas 7% de mulheres desembargadoras.

 

Rossiter cunhou ainda o termo “Efeito Matilda” para o preconceito recorrente contra reconhecer as contribuições de mulheres cientistas em pesquisas, cujo trabalho é frequentemente atribuído aos seus colegas homens, uma espécie de ‘bropriating’ da ciência. O termo é uma homenagem à sufragista Matilda Joslyn Gage, que em 1893 escreveu o ensaio Woman as an Inventor (“A mulher como uma inventora”) para protestar contra o imaginário dominante de que uma mulher não tem genialidade para invenções.

 

O livro Athena Unbound: The Advancement of Women in Science and Technology (2000), ainda sem tradução em português, analisa o curso da vida de mulheres cientistas, desde a infância até a formação acadêmica, e defende que apesar dos avanços, as mulheres ainda enfrentam uma série de obstáculos relacionados ao gênero para conseguirem entrar e serem bem sucedidas em carreiras científicas.

 

Mulheres ainda têm teto de vidro na ciência, em razão não só do preconceito, mas também dos ônus da maternidade.

 

Pensando nisso, Christiane Nüsslein-Volhard (1942-*), prêmio Nobel de fisiologia e medicina em 1995 – pela pesquisa com controle genético do desenvolvimento embrionário -, criou em 2004 uma fundação que leva o seu nome com o fim de ajudar jovens cientistas promissoras e mães alemãs. “Com um apoio financeiro mensal para ajuda doméstica e cuidados infantis adicionais, as jovens cientistas do sexo feminino devem ser dispensadas das tarefas domésticas”.

 

Para prestigiar, dar visibilidade e incentivar essas mulheres que resistem às dificuldades, enfrentam o preconceito e produzem ciência, foi criado em 1998, o Prêmio Loreal-UNESCO para Mulheres Cientistas, destinado a cientistas mulheres de cinco regiões do globo: África e Oriente Médio, Ásia e Pacífico, Europa, América Latina e Caribe e América do Norte.

 

A lista de grandes cientistas mulheres disponibilizada nas duas partes deste texto pode parecer impactante e exaustiva, sendo relativamente extensa por opção didática desta colunista, a fim de nos darmos efetivamente conta de quão invisíveis ainda são as mulheres na ciência e o quanto urge as conhecermos, dando-lhes o lugar devido na história.

 

Por certo, além das elencadas, há muitas e muitas outras mulheres que fizeram e estão fazendo ciência pelo Brasil e pelo mundo, a despeito de muitas ainda serem desestimuladas, impedidas ou invisibilidades por sua condição de gênero.

 

Mas há muito o que se comemorar, pelas conquistas já alcançadas e as que por certo estão por vir! Dia 11 de fevereiro foi o dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência. E amanhã, 08 de março, é o Dia Internacional da Mulher! E dia 25 de julho será o dia da mulher negra! E… cada um dos 365 dias do ano é dia da mulher! Dessa mulher que se empodera do conhecimento, que ocupa seu lugar de fala e os espaços de poder ou qualquer lugar que ela bem entender. Meus cumprimentos a todas as mulheres desse planeta, com todo encantamento e admiração!

 

* Este texto é dedicado a todas as mulheres que fazem ciência no Brasil, em especial à amiga Alessandra Nava, pesquisadora da FioCruz Amazônia

 

[1] http://www.sbpcnet.org.br/site/publicacoes/outras-publicacoes/livro_pioneiras.pdf

 

[2] http://www.cnpq.br/web/guest/pioneiras-da-ciencia-do-brasil

 

 

 

(Fonte: Carta Capital - 07/03/19)

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