Rio de janeiro
Agenda Inovação Junho -   Julho    -     Agosto   Avançar Voltar 2019 -   2020 Avançar
  • S
  • D
  • S
  • T
  • Q
  • Q
  • S
  • S
  • D
  • S
  • T
  • Q
  • Q
  • S
  • S
  • D
  • S
  • T
  • Q
  • Q
  • S
  • S
  • D
  • S
  • T
  • Q
  • Q
  • S
  • S
  • D
  • 01
  • 02
  • 03
  • 04
  • 05
  • 06
  • 07
  • 08
  • 09
  • 10
  • 11
  • 12
  • 13
  • 14
  • 15
  • 16
  • 17
  • 18
  • 19
  • 20
  • 21
  • 22
  • 23
  • 24
  • 25
  • 26
  • 27
  • 28
  • 29
  • 30
SENAI

Notícias

Techplast e Courotex: inovação com consciência ecológica

Dois projetos da Paraíba selecionados no Edital Senai de Inovação demonstram forte preocupação com a gestão dos recursos ambientais e produção mais limpa. As iniciativas "Produção de tubos a partir da utilização do polietileno tereftálico (PET)", desenvolvido pelo Senai/PB em parceria com a empresa Techplast, e "Reciclagem de cinzas oriundas do processo de incineração de resíduos sólidos contendo cromo, para obtenção de pigmento a ser utilizado na fabricação de tinta", desenvolvido em parceria com a Courotex, já são referência em seus setores."A preocupação com a minimização dos impactos ambientais e o compromisso com o desenvolvimento ambiental estão refletidos nas nossas ações rotineiras, tanto nos projetos quanto na implantação do Núcleo Ambiental no Centro de 
Tecnologia do Couro e do Calçado Albano Franco (CTCC), em Campina Grande", destaca a diretora regional do Senai/PB, Gricélia Pinheiro.

 

A iniciativa desenvolvida pela empresa Techplast (Tecnologia e Plásticos Ltda) tem uma meta ambiciosa de retirar de circulação 60 mil garrafas PET por dia e transformá-las em tubos para irrigação e esgoto. O Brasil produz hoje nove bilhões de garrafas de PET (polietileno tereftálico) por ano, sendo que 53% dessas embalagens não são reaproveitadas. Isso significa cerca de 4,7 bilhões de unidades descartadas na natureza, contaminando rios, indo para lixões e terrenos baldios. A produção comercial começou este ano, e a iniciativa entrou na lista dos melhores projetos na área de Inovação Tecnológica.

 

O objetivo do projeto, iniciado em 2006, por meio do Edital Senai de Inovação, era desenvolver um produto reciclado com a mesma dureza, resistência ao impacto, acabamento e custo do PVC, material-padrão no mercado. Para isso, de acordo com Josué Casimiro, gerente do Centro de Inovação e Tecnologia Industrial do Senai da Paraíba, a empresa, em parceria com o Senai, realizou pesquisas para definir parâmetros de processo, aquisição de peças e ajustes de equipamentos até a análise dos produtos resultantes das adaptações.

 

"Os resultados foram excelentes e a produção já atinge 30 toneladas/mês, de uma capacidade instalada de 100 toneladas/mês", informa o gerente de desenvolvimento de produto da empresa, Alessandro Achille de Arruda. Cada tubo produzido retira 80 garrafas de circulação. Arruda destaca que outras empresas brasileiras já produzem tubos a partir de PET reciclado. "O nosso mérito foi desenvolver um processo que possibilitasse a produção na nossa fábrica, com os nossos equipamentos", acrescenta.

 

As vantagens são enormes para o meio ambiente, para a empresa e para as populações de baixa renda, que possuem agora um produto mais em conta no mercado. Segundo Arruda, os tubos reciclados custam menos da metade que os similares convencionais. "O preço estimado é de R$ 3,50 por quilo de tubo, enquanto o PVC custa R$ 9,00", destaca. O produto pode ser usado, por exemplo, para irrigação na agricultura familiar ou na construção civil, baixando o preço final das casas populares.

 

A poluição por meio do PET, por ser volumosa (uma garrafa de 2 litros pesa apenas 50 gramas, mas faz muito volume), facilita a obstrução de rios, canais e lagoas. "O PET vem substituindo os outros plásticos devido a sua resistência mecânica, beleza e menor consumo por litro envasado, mas na natureza é extremamente difícil de decompor", acrescenta Arruda. O negócio também se refletiu na redução de custos para a Techplast. "O aumento de competitividade da empresa está sendo considerável, pois os custos da matéria-prima são mais baixos, em torno de R$ 0,80 por quilo ao invés de R$ 4,50 do PVC", destaca o gerente.

 

O Brasil aparece como um dos maiores recicladores de PET do mundo, com índices que superam os Estados Unidos e a Europa. Em 2005, o mercado brasileiro consumiu 374 mil toneladas de PET para embalagens e reciclou 174 mil toneladas, mantendo o índice nacional de reciclagem de 2004, 47%.

 

Outra iniciativa envolve o setor coureiro-calçadista, um dos mais fortes da economia paraibana. O objetivo é minimizar o impacto ambiental causado pelos resíduos sólidos (aparas de couro) gerados pelas empresas do setor.  Hoje, esse dejeto é incinerado pelas indústrias e, durante a queima, é produzida uma cinza que contém alto teor de cromo, um metal pesado que precisa ser descartado de maneira adequada para não prejudicar o meio ambiente. Para minimizar o depósito deste resíduo, o setor ambiental do CTCC, em parceria com a empresa Courotex e com a Universidade Federal de Campina Grande, desenvolveu um projeto que busca medidas de prevenção e redução da poluição, através da aplicação da técnica eletroquímica na recuperação do cromo contido no banho residual de curtimento. A iniciativa assegura, simultaneamente, a qualidade do couro produzido com a reutilização do cromo recuperado, previne a poluição gerada por este metal pesado e reduz o consumo deste insumo químico no setor produtivo do couro.

 

"Apenas nas cinzas geradas pela queima das aparas há cerca de 10% de cromo. O aproveitamento desse resíduo como pigmento diminui enormemente o passivo ambiental das empresas", destaca o empresário Marcelo Arruda. Segundo ele, esse óxido de cromo produzido pelo processo de queima resulta em um pigmento com 75% de pureza, após a eliminação de alguns componentes, como sais de magnésio e sais de cálcio. "O que é excelente para a indústria", acrescenta. Para se ter uma idéia, uma tonelada de couro no estado wet-blue (raspa), o tipo mais utilizado pelas empresas da região, gera em torno de 200 quilos de aparas. Somente a Courotex consome, por mês, 100 toneladas de couro e gera, com isso, 20 mil quilos de aparas. São 240 mil quilos de lixo altamente impactante por ano. Agora, esse dejeto tem a possibilidade de virar pigmento, o que, além de não poluir a natureza, irá significar redução de custos para a Courotex, que também produz tintas para o setor.

 

De acordo com a empresa, para cada tonelada de tinta à base de cal hidratado que é produzida, é necessário um quilo de pigmento, cujo custo no mercado é de R$ 25,00. "Em outras palavras, além de abastecer a própria empresa, a Courotex está prestes a desenvolver um novo produto, que pode interessar à indústria de tintas e pigmentos", acrescenta Maria de Fátima Almeida Vieira, coordenadora do projeto pelo Senai/PB. Ela explica que já foram realizados testes para determinação de variáveis operacionais, como tempo e temperatura de incineração, importantes para se obter um teor mais alto de cromo (o teor dos produtos comerciais existentes é de 95%). Também foram realizados processos de lavagem química da cinza, para a remoção de impurezas. O próximo passo, de acordo com Maria de Fátima, é a caracterização física do produto, como sua distribuição granulométrica e dispersibilidade. Conforme resultados alcançados, o pigmento pode ser comercializado já no próximo ano.

 

(Fonte: Boletim Tecnológico Senai Inovação IV- Dezembro 2007)

 

Outros casos de sucesso 

Instituições Associadas

ABIFINA
ABIMO
ABINEE
ABIQUIM
ALANAC
FIEMG
IPD FARMA
SEBRAE