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RETS

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Na Siemens, o Brasil deixou a China para trás

Há duas semanas, ainda antes do rebaixamento da dívida americana, o presidente mundial da Siemens decretou: "A recuperação da economia mundial acabou." Ao constatar que o ritmo de crescimento da Europa e dos Estados Unidos voltará a se desacelerar, Peter Loescher enviou um recado claro ao mercado: a aposta da Siemens, nos próximos anos, estará nas grandes nações emergentes. Neste cenário, o Brasil surge como protagonista - o que vai impactar diretamente nas metas do diretor-presidente da operação local, Adilson Primo, cujas decisões passarão a ter um papel mais relevante no resultado global da gigante alemã.

A aposta no Brasil está fundamentada em números. A receita em euros da operação local cresceu 32% em 2010, mais do que na Índia (17%) e na China (12%), enquanto a operação global sofreu leve retração. Por isso, a Siemens estabeleceu um plano ambicioso para Primo: dobrar as receitas brasileiras de 2 bilhões para 4 bilhões até 2015. Para viabilizar a meta, a empresa vai dobrar os investimentos no País, que atingirão US$ 600 milhões nos próximos cinco anos.

Em 2006, a venda da operação mundial de telefonia da Siemens resultou na desativação de uma unidade local de produção de celulares, em Manaus. Nos anos seguintes, porém, o investimento no Brasil acelerou: de 2006 a 2011, a empresa contratou 4 mil funcionários no País e o número de fábricas subiu de 5 para 13. A décima quarta unidade - uma linha de montagem de aparelhos de diagnóstico por imagem - será inaugurada no próximo ano, em Joinville (SC).

Adilson Primo, 58 anos, vai completar uma década como presidente da Siemens do Brasil no próximo mês de setembro. Na empresa desde 1977, ele diz que tanto as qualidades da economia brasileira quanto as carências estruturais do País contribuem para elevar as possibilidades de crescimento da Siemens. De um lado, o mercado interno está fortalecido, o que aumenta a capacidade de investimento de órgãos de governo e empresas. De outro, o portfólio da companhia está intimamente ligado às deficiências nacionais nos setores de energia, transporte e urbanização.

Primo explica que a visão estratégica da Siemens prevê que os países em desenvolvimento cresçam pelo menos o dobro das nações desenvolvidas nos próximos anos. Do ponto de vista macro, a priorização do Brasil se justifica pela baixa possibilidade de contágio da economia local por turbulência externas graças à força do mercado interno. "O consumo doméstico concentra 85% do PIB nacional. A perspectiva é de estabilidade macroeconômica com déficit público baixo, de 2,5%. Se o Brasil fosse parte da zona do euro certamente passaria no teste de estresse".

Primo afirma que as expectativas em relação ao Brasil só não são mais otimistas por causa dos desafios estruturais que impedem uma expansão anual da economia acima de 4%. "Não temos infraestrutura. Os portos operam no limite e os aeroportos mais parecem rodoviárias. Não há como crescer 5%", ressalta. No entanto, o executivo afirma que há indícios de que, dentro de suas limitações, o Brasil é um mercado confiável: "A indústria de carros continua a bater recordes, a construção civil ainda cresce e o investimento na infraestrutura também está aumentando, apesar de ainda aquém do desejado".

A decisão da Siemens de dobrar o investimento no mercado brasileiro não reflete somente os fundamentos da economia local, mas também o despertar de grandes concorrentes globais para o potencial do País. Enquanto a gigante alemã anunciou a aplicação de US$ 600 milhões nos próximos cinco anos, uma de suas principais rivais em nível mundial - a americana GE - prevê despejar US$ 570 milhões na operação local em 36 meses. As empresas disputam diretamente a clientela nas áreas de saúde, energia e mobilidade. Ambas também estão empenhadas em usar o Brasil como plataforma de expansão de uma das principais apostas para os próximos anos: as soluções ecologicamente corretas.

Tecnologia ‘limpa'

Para se ter uma ideia do potencial do mercado de soluções industriais "limpas", 37% do faturamento de 76 bilhões da Siemens em 2010 em seus quatro grandes setores de atuação - indústria, energia, cuidados com a saúde e infraestrutura - vieram do chamado "portfólio ambiental". São incluídas nessa categoria as soluções que contribuíram de alguma forma para a redução da emissão de gás carbônico pelas companhias que adquiriram equipamentos e serviços.

O objetivo global é que o faturamento do portfólio ambiental cresça 10% ao ano, atingindo 40 bilhões em 2014. Na opinião de Primo, as soluções "verdes" podem ter participação ainda maior no Brasil. "É uma vantagem que temos, por conta da nossa matriz energética, que tem um perfil renovável".

Outro movimento da Siemens que acompanha uma tendência percebida na concorrência é a criação de um centro de pesquisa e desenvolvimento no Rio de Janeiro - algo que IBM e GE também já anunciaram. 50% dos investimentos previstos pela gigante alemã no País serão destinados à área de pesquisa e desenvolvimento.

Segundo Peter Loescher, presidente mundial da Siemens, a ordem é desenvolver soluções customizadas para o cliente. Isso, explica ele, exige uma nacionalização cada vez maior da produção. "Hoje, o índice de nacionalização de nossos produtos do setor de energia é de 70%. E a ideia é aumentar esse porcentual", afirmou.

Óleo e gás

O centro de pesquisa e desenvolvimento, que deverá ser concluído no fim de 2012, vai consumir investimentos de R$ 80 milhões. Por conta da localização no Rio de Janeiro, o foco inicial será o setor de óleo e gás. Ao longo do tempo, a estrutura também desenvolverá soluções para indústrias e para a área de energia. O centro terá a função de reorganizar as iniciativas de inovação dentro da operação brasileira, hoje pulverizadas pelas fábricas da Siemens em diversas regiões do País.

A concentração das iniciativas de pesquisa, que deverá envolver 1.000 profissionais, incluirá a transferência de parte da estrutura da Chemtech, adquirida pela Siemens em 2001. Na época do negócio, a Chemtech tinha 100 funcionários e faturamento de R$ 9 milhões ao ano. Hoje é uma das principais fornecedores de projetos para a Petrobrás, tem 1,1 mil engenheiros e receita de R$ 250 milhões. "A Chemtech é referência em engenharia avançada", diz Primo.

O desenvolvimento local de tecnologia, na visão do executivo, pode ser um passo para a correção de um erro estratégico do Brasil: a pífia taxa de inovação. "A balança comercial mostra que exportamos produtos sem manufatura. Sem pesquisa, houve a invasão asiática e a perda da competitividade. É necessário um processo de reformulação".

Entrevista: ''Metade dos investimentos no País irá para projetos de inovação''

O presidente mundial da Siemens, Peter Loescher, aposta na infraestrutura necessária para as cidades brasileiras e no setor de óleo e gás como pilares de crescimento do mercado nacional - a meta do conglomerado alemão, até 2015, é dobrar a receita no País.

O Brasil vai se tornar mais importante para o negócio global da Siemens?

Peter Loescher - O Brasil é um mercado-chave. Em 2010, o País foi líder de crescimento entre os países do Bric. E queremos dobrar nossas receitas locais até 2015. Os pilares dessa expansão são infraestrutura para cidades e grandes eventos, óleo e gás e energias renováveis.

É importante adaptar os produtos ao mercado nacional?

Peter Loescher - No Brasil, a Siemens desenvolve produtos em conjunto com os clientes, como turbinas para cogeração de energia a partir de biomassa ou softwares para o setor de óleo e gás. Hoje, o índice de nacionalização de nossos produtos do setor de energia é de 70%. E a ideia é aumentar esse porcentual.

Por que foi necessário dobrar investimentos no País?

Peter Loescher - O Brasil se tornou uma economia mais complexa, que exige uma variedade maior de produtos. E estamos bem preparados para aproveitar essas oportunidades. Nós vamos dobrar o nosso investimento nos próximos cinco anos, para US$ 600 milhões. Metade do valor irá para projetos de inovação e desenvolvimento de produtos. E o restante será para expansão de produção e construção de novas fábricas.

 

(Fonte: O Estado de S. Paulo - 14/08/2011)

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