Rio de janeiro
Agenda Inovação Julho -   Agosto    -     Setembro   Avançar Voltar 2019 -   2020 Avançar
  • S
  • T
  • Q
  • Q
  • S
  • S
  • D
  • S
  • T
  • Q
  • Q
  • S
  • S
  • D
  • S
  • T
  • Q
  • Q
  • S
  • S
  • D
  • S
  • T
  • Q
  • Q
  • S
  • S
  • D
  • S
  • T
  • Q
  • 01
  • 02
  • 03
  • 04
  • 05
  • 06
  • 07
  • 08
  • 09
  • 10
  • 11
  • 12
  • 13
  • 14
  • 15
  • 16
  • 17
  • 18
  • 19
  • 20
  • 21
  • 22
  • 23
  • 24
  • 25
  • 26
  • 27
  • 28
  • 29
  • 30
  • 31
RETS

Notícias - RETS

Novos produtos e capacitação melhoram faturamento

As empresas que apostam na inovação não têm do que se queixar. Em algumas, o faturamento de novos produtos em relação à receita total, um dos indicadores que mede o resultado da política estratégica, representa mais de metade dos ganhos. Outras trabalham com indicadores diferentes, mas nem por isso o desempenho é menos significativo.

Qualquer que seja a medida, o balanço costuma ser positivo para as companhias que investem tempo e dinheiro em inovação, e principalmente na capacidade dos funcionários.

É o caso da Petrobras. O número total de pedidos de depósito de patentes na companhia supera três mil. Outro indicador é o valor gerado pelo capital investido: para cada unidade de dinheiro aplicado pela Petrobras em novas tecnologias, o retorno é de dez vezes.

"Para a indústria do petróleo, que é uma indústria de altíssimo custo, trata-se de um retorno excelente", diz Carlos Tadeu Fraga, gerente executivo do Centro de Pesquisas da Petrobras (Cenpes).

O melhor indicador do resultado em inovação são os volumes de óleo e gás descobertos na camada de pré-sal do litoral brasileiro graças aos avanços tecnológicos alcançados em cinquenta anos de investimentos pesados em pesquisas.

"Só nos campos de Lula, Cernambi e Franco, as reservas recuperáveis são da ordem de 15 bilhões de barris, equivalentes a praticamente toda a reserva da Petrobras fora do pré-sal, e só foram possíveis com a aposta no desenvolvimento tecnológico".

A Siemens, que investe em todo o mundo cerca de € 4 bilhões - em torno de R$ 8,9 bilhões - em pesquisa, registra por dia nada menos do que 42 novas patentes. O portfólio da empresa reúne atualmente 55 mil patentes. Este é um dos resultados do esforço diário de 32 mil pesquisadores e desenvolvedores espalhados em 180 centros de pesquisa por 197 países em três setores: saúde (diagnóstico), energia e indústria.

Outros 2.300 pesquisadores se dedicam apenas a desenvolver produtos para o futuro. São softwares e soluções de eletricidade que só serão comercializados em dez a trinta anos. "Somos praticamente número um ou dois em quase todos os setores em que atuamos", afirma Ronald Dauscha, diretor de Tecnologia e Inovação da Siemens do Brasil.

Na Natura, o impacto da política de inovação é animador. A cada ano, a empresa lança de 100 a 200 produtos novos. Só nos últimos dois anos, os novos produtos responderam por 60% a 70% da receita total. Há ainda outros indicadores indiretos, como a aceitação da marca pelo consumidor e o tempo que uma ideia leva para se transformar em cosmético, maquiagem ou perfume.

"Estabelecer processos é importante para que a inovação não aconteça de forma errática", diz Victor Fernandes, diretor de Ciência e Tecnologia, Ideias e Conceitos da Natura. "Inovação não é algo que surge nas horas vagas e naturalmente".

Na Ticket, os resultados da política de inovação também são vistos como consequência de um processo. Os quatro prêmios internacionais criados pela Edenred, por exemplo, só podem ser disputados por empresas afiliadas como a Ticket com projetos que possam ser multiplicados nos 40 países em que a companhia atua. "Um novo negócio é sempre consequência de um processo", diz Gustavo Chicarino, diretor de Estratégia, Marketing e Produtos PAT da Ticket.

Foi o processo que gerou um dos filhotes mais promissores da empresa: o Ticket Cultura. Criado em 2004 no âmbito das discussões internas da empresa na busca de inovação, o produto só depende de uma lei a ser votada pelo Congresso Nacional para chegar ao mercado. "Nossos indicadores para medir os resultados da estratégia de inovação são a qualidade e o valor agregado".

A importância que a estratégia de inovação vem conquistando nas empresas instaladas no País é atestada ainda por outro indicador: a evolução dos projetos inscritos para o Prêmio Finep de Inovação, que chega este ano à sua décima-quarta edição. Há uma década eles não chegavam a 300. Em 2010, atingiram 885.

"A inovação já faz parte da cultura das empresas brasileiras", atesta André Calazans, chefe do Departamento de Promoção da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep). "Começamos a identificar um cenário competitivo de empresas e instituições que põem a inovação como estratégia central. Isso está disseminado também no meio acadêmico", afirma.

"A importância da inovação nas empresas brasileiras evoluiu muito, mas o cenário ainda é tímido", diz Carlos Arruda, coordenador do Núcleo de Inovação da Fundação Dom Cabral. Uma pesquisa da entidade, que acompanha a evolução da cultura da inovação no País, constatou que, em 2004, o tema era considerado importante por 95% dos entrevistados, embora apenas 9,5% das empresas tivessem estrutura para incentivá-lo. No ano passado os índices atingiram 100% e 30%.

"Inovação é algo que gera valor, na forma de aumento de receita ou redução de custo. Às vezes, prêmios reconhecem uma inovação, mas não um processo de inovação, que é mais importante".

Análise de mercado inspira projetos

Quando a Weber Saint-Gobain, fabricante de argamassas, precisou de uma embalagem para facilitar o transporte de um dos seus produtos, não teve dúvidas em relação a quem recorrer. Levou sua preocupação à Klabin, maior fabricante de papéis do País, que desenvolveu um saco industrial próprio para os processos de automação da empresa, prático e mais fácil de ser manuseado pelo consumidor. Hoje, as embalagens são utilizadas na linha Quartzolit.

"Nosso cliente analisou o mercado e verificou quais eram as necessidades dos consumidores, depois nos solicitou para que, de alguma forma, facilitássemos a vida deles", diz Fernando Silveira Bruno, gerente comercial de sacos industriais da Klabin.

A embalagem foi inicialmente criada para atender o setor de construção civil, mas a empresa vê a possibilidade de expandi-la para todo o mercado.

A divisão de Pesquisa e Desenvolvimento criou um saco com válvulas soldáveis. O mecanismo, feito a partir das especificações de cada cliente para diferentes bicos injetores, evita vazamentos de produto durante o processo de embalagem. O saco também conta com uma alça que facilita o transporte pelo consumidor final. A embalagem foi criada com uma manta especial de polietileno e papel resistente, que pode ser impresso em até oito cores pelo sistema flexográfico, o que proporciona imagens mais nítidas e valorização da mercadoria.

A embalagem possui hoje uma função que vai além de empacotar o produto para ser transportado até o seu destino. "Esse perfil mudou. A embalagem tem um papel distinto. Ela não é por si só o produto final, ela precisa agregar valor a outro produto", avalia Afonso Moura, gerente técnico da Associação Brasileira Técnica de Celulose e Papel (ABTCP).

A Klabin considera que a inovação faz parte de sua cultura. Desde 2003, o segmento de sacos industriais tem recebido recursos para inovação, como um saco para sementes com abertura "easy open", que possibilita o armazenamento adequado do material mesmo após o invólucro ser aberto.

Desde então, os projetos inovadores não pararam de surgir. Criaram o papel microperfurado e o premium, válvulas especiais para sacos e embalagens de papel produzidas para transportar farinha de trigo.

Uma das vantagens de desenvolver os produtos é que nenhuma solução é perdida. "Na área de sacos industriais, são agregados, a cada ano, uma tecnologia, uma solução e um conceito que, no final, podem ser reutilizados em uma nova invenção", destaca Bruno. A embalagem recém-criada, por exemplo, acrescentou recursos antigos ao novo produto.

Os sacos industriais da Klabin são certificados pela FSC (Forest Stewardship Council), órgão que atesta o manejo sustentável de recursos florestais. "Essa certificação garante que, desde a floresta até o produto, houve manejo social e ambiental adequado às políticas desse instituto", afirma. E, para inovar, também é preciso estar atento à sustentabilidade.

A diferenciação em relação aos concorrentes é o alvo das empresas que investem em novidades tecnológicas. Com isso, as criações se transformam em lucro. "O principal resultado com investimentos em inovação é o reconhecimento por parte do mercado e a fidelidade dos compradores. Quando fazemos uma análise do aumento do número de vendas e da satisfação do cliente, temos certeza de que as metas, ao investir em novas ideias, estão sendo alcançadas", diz o gerente comercial.

A Klabin enxerga um novo nicho com a criação de sacolas de papel para substituir as plásticas, que serão banidas do comércio na cidade de São Paulo, a partir de 1º de janeiro de 2012. "Oferecemos, de início a grandes grupos varejistas, uma sacola de papel que poderá substituir as sacolas plásticas", afirma Bruno.

O volume de sacos industriais comercializados nas unidades do Brasil e da Argentina totalizou 142 mil toneladas em 2010, alta de 9% em relação a 2009. A capacidade de produção de embalagens deve aumentar mais em 2011, já que foram aprovados investimentos de R$ 15,6 milhões para instalação de uma nova linha em uma das fábricas de Lages (SC).

 

 


(Fonte: Valor Econômico - 15/08/2011)

 

Instituições Associadas

ABIFINA
ABIMO
ABINEE
ABIQUIM
ALANAC
FIEMG
IPD FARMA
SEBRAE