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Notícias - RETS

Opinião: Com novas medidas, indústria têxtil vislumbra 'contra-ataque'

A desoneração da folha de pagamentos e a unificação da alíquota do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) para mercadorias importadas foram as boas notícias que a indústria têxtil e de confecção recebeu do ministro da Fazenda, Guido Mantega.

Também foi instituído grupo técnico a fim de analisar propostas para ampliar a competitividade setorial: intensificar fiscalização do comércio de importados e criar linhas de financiamento.

As medidas respondem à perda de competitividade do setor, abalado pelo custo Brasil e pelo câmbio sobrevalorizado, que o expõem ao ataque internacional e a práticas comerciais pouco éticas.

Resultado

Foi de US$ 5 bilhões o deficit da balança setorial em 2010, US$ 2,17 bilhões do intercâmbio bilateral com a China. O problema se agrava: o saldo negativo do comércio multilateral no ano (até maio) já foi de US$ 1,89 bilhão, 46,2% maior que no mesmo período de 2010. A despeito de todas essas dificuldades, que nos custaram a criação de 135 mil empregos no ano passado, o setor continua investindo (mais de US$ 2 bilhões em 2010) e priorizando diferenciais competitivos civilizados e politicamente corretos, como o respeito a direitos trabalhistas e ao ambiente, design avançado, tecnologia, inovação e serviços de qualidade.

O Brasil tem a quinta maior indústria têxtil e de confecção. Possivelmente, passaremos ao quarto lugar em 2011.

As empresas estão em todo o território nacional e mesclam uma base produtiva forte, ampla, diversificada e fomentadora de conhecimento e inovação. Temos semanas de moda com importância global, cadeia de distribuição com mais de 100 mil pontos de venda e um dos maiores mercados consumidores.

Portanto, a partir das medidas anunciadas, o setor agregará melhores condições para se defender do assédio de concorrentes estrangeiros. Assim, delineiam-se novas perspectivas, viabilizadas pelo diálogo e o entendimento entre sociedade e Governo. Pode-se vislumbrar até mesmo um contra-ataque, mirando o universo de consumo das economias com as quais temos hoje desvantagem no comércio bilateral.


Aguinaldo Diniz Filho é presidente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit).



(Fonte: Folha de S. Paulo - 20/07/2011)

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