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Políticas Públicas e Economia

Notícias - Políticas Públicas e Economia

Crise de criatividade na China

O estudante Zhao Qiang, 21 anos, está na metade do curso de finanças da Universidade de Tecnologia de Pequim, mas já está preocupado e confuso. Segundo o Ministério da Educação da China, dos 4,13 milhões de jovens chineses que se graduaram em universidades em 2006 - um recorde na História do país - pelo menos 1,24 milhão ficaram sem emprego nas áreas em que se formaram, apesar do crescimento acelerado da economia. Ou seja, o desemprego continua sendo uma ameaça para os jovens, mesmo os que têm nível superior num país em expansão.

 

Zhao gostaria de seguir a carreira num emprego no setor privado, mas nessas empresas a competição e a exigência de pessoas inovadoras e criativas são bem maiores que nas empresas estatais, onde, dependendo de suas relações na companhia, um emprego é mais fácil pelo resto da vida. Mas o dia-a-dia é chato e o salário, baixo.

 

"Eu quero um emprego que pague bem, mas não acho que a universidade prepara a gente para ser criativo e competitivo como o mercado exige. O estudo é baseado em decorar o que o professor diz e passar de ano", reclama Zhao.

 

Mais de 40 anos após a Revolução Cultural mandar os intelectuais chineses - considerados "esnobes inimigos do proletariado" - para o campo ou para centros de reeducação por trabalho forçado - a China vive o dilema de precisar urgentemente de cabeças pensantes e inovadoras, num país onde o pensamento crítico e muito inovador não raro manda as pessoas para a cadeia. Com um agravante: o sistema é seletivo. Há 20 anos, as universidades públicas eram gratuitas. Hoje, são todas pagas, com custos que variam de 3 mil yuans (US$ 400) a 15 mil yuans (US$ 2 mil), o que significa que apenas a elite e a classe média alta chinesa hoje têm acesso ao ensino superior.

 

"Vivemos em uma sociedade de influência confucionista hierarquizada na qual o governo ainda exerce um grande poder sobre a economia e a vida dos cidadãos", diz o vice-diretor geral do Centro Nacional de Pesquisa em Desenvolvimento da Educação, Mansheng Zhou. Isto tem reflexos não apenas nas famílias, mas também na educação, que carece de criatividade e estimulo à inovação para que a China deixe para trás a pecha de país copiador e passe a ser país inovador.

 

Déficit de 50% de vagas nas universidades

 

Mas a solução não parece ser assim tão fácil, como observa Thomas Friedman em recente artigo de opinião no jornal "The New York Times": "Pode a China ser tão inovadora quanto a América e dominar o século XXI, com tantos prevêem, se a China censura o Google e mantém tantos controles políticos enquanto estabelece sua economia de mercado? Mas como competimos com a China, não importa o quanto somos livres, se os jovens chineses estão estudando matemática e ciência enquanto muitos dos nossos estudantes abandonam os estudos?"

 

Apesar das dificuldades filosóficas, a China tem se esforçado. De 1966 a 1976, enquanto durou a Revolução Cultural, as universidades chinesas eram consideradas por Mão Tse-tung redutos de "intelectuais malcheirosos" e foram interditadas pelos Guardas Vermelhos, muitas totalmente fechadas. Em 1977, os cursos e exames de admissão foram retomados e, de lá para cá, 36 milhões de chineses cursaram instituições de nível superior no país. É uma evolução espantosa, mas o fato é que, hoje, apenas 5% dos chineses entre 25 e 64 anos têm curso superior.

 

Com um detalhe que reflete o abismo entre o campo e a cidade: dos 23% de jovens entre 18 e 23 anos que cursam hoje universidades no país, a maioria absoluta é filha da elite urbana, mesmo sendo 60% dos estudantes das áreas rurais subsidiados de alguma forma pelo governo, seja através de bolsas de estudo que dão descontos nas mensalidades, seja através de empréstimos de bancos estatais com juros baixíssimos.

 

"O país investe hoje 2,8% do Produto Interno Bruto (PIB) com educação, mas pretendemos ampliar isso para 4% até 2011", diz Mansheng. No ensino superior, o aparelhamento das universidades e as parcerias com institutos de pesquisa e empresas são a nossa prioridade.

 

Existem hoje na China 1867 universidades (além de 444 escolas vocacionais que preparam basicamente mão-de-obra técnica mais especializada). O concurso nacional para entrar nas universidades, o chamado gaokao, é disputadíssimo, apesar da oferta de curso. O problema, agora, é que faltam vagas, especialmente nas melhores universidades do país - como a Universidade de Pequim e a Tsinghua, na capital, ou a Jiaotong, em Xangai. Este ano, por exemplo, 10,1 milhões de estudantes fizeram o exame disputando 5,67 milhões de vagas.

 

Fuga de cérebros

 

Apesar da China investir pesado na capacitação de profissionais para as áreas de tecnologia e ciências - uma obsessão pessoal do presidente da China, Hu Jintao, um engenheiro formado pela Tsinghua - a China sofre com a fuga de seus cérebros não apenas para as multinacionais, que pagam melhor, como para instituições no exterior, onde os profissionais têm mais liberdade para criar.

 

Desde 1978, mais de 70% dos chineses que foram estudar no exterior optaram por não voltar para casa, afirma um estudo da Academia de Ciências Sociais da China. Entre 1978 e 2006, cerca de 1,06 milhão de chineses foram estudar no exterior. Destes, só 275 mil voltaram para casa.

 

"A falta de cientistas de primeira classe e pesquisadores pioneiros é a maior ameaça à capacidade de inovação na China", afirma Yang Xiaojing que ajudou a elaborar o estudo.

 

A saída do governo é gastar pesado no financiamento de pesquisadores dentro da própria China, especialmente aqueles que aliam a pesquisa  à produção de inovação comercializáveis, como novas drogas ou chips. O Fundo de Ciências Naturais, por exemplo, tem um orçamento anual de US$ 2,5 bilhões para financiar projetos de ponta em áreas inovadoras, como a nanotecnologia ou a biotecnologia.

 

Mas mesmo aí existem problemas: as fraudes em projetos de pesquisa e desenvolvimento, que vão de produtos tecnológicos de ponta copiados a ensaios falsos sobre leis, que minam a intenção da China de se tornar uma potência tecnológica no futuro.

 

 

(Fonte: O Globo - 12/08/07)

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