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Um novo caminho terapêutico para combate ao câncer    18/02/2010

  Farmacêuticas deveriam focar em medicamentos que tenham como alvo as alterações genéticas responsáveis pelo crescimento do tumor, em vez de buscar drogas para tipos específicos

Pela primeira vez, cientistas descobriram que alterações genéticas - como perda ou duplicação de DNA - que estimulam o crescimento de um tipo de câncer podem ser comuns em outros, totalmente diferentes. No estudo com 26 diferentes formas da doença, os autores dizem que os mecanismos genéticos por trás desses tumores são compartilhados entre eles, e esta descoberta pode levar ao desenvolvimento de novas e mais eficazes estratégias para tratá-los. A pesquisa, a maior desse tipo, foi publicada na "Nature".

 

Segundo os cientistas, a maioria das anomalias genéticas não são exclusivas de uma só forma de câncer, e elas são mais importantes do que o órgão no qual a doença aparece ainda no microscópio. Para o patologista Matthew Meyerson, um dos principais autores do trabalho e professor de patologia no Instituto do Câncer Dana-FarberMeyerson, os dados significam um importante recurso para a descoberta do gene do câncer.

 

"Você tem câncer de mama, de pulmão e rim, e muitos dos fatores que causam estas doenças são os mesmos. O grau em que eles são compartilhadas foi muito surpreendente para nós", diz o pesquisador. "Isso sugere que o tratamento terá como alvo as alterações genômicas, em vez de a origem dos tumores nos tecidos".

 

Embora a informação em qual órgão as células malignas aparecem primeiro seja valiosa, ela não revela os detalhes moleculares.

 

Os dados do novo estudo podem ser usados para descobrir métodos de diagnóstico e tratamentos mais eficazes contra a doença, reforça Meyerson.

 

"Em vez de a indústria farmacêutica concentrarse em drogas que tratam um tipo específico de câncer, ela deve começa a focar em medicamentos que tenham como alvo as alterações genéticas responsáveis pelo crescimento do tumor. Isso pode ampliar o número de drogas potentes contra a doença".

 

A pesquisa começou em 2004, quando uma equipe de cientistas do Instituto DanaFarber e do Instituto Broad nos Estados Unidos lançou um projeto para mapear as mudanças genéticas em diferentes cânceres.

 

Eles se concentraram num tipo específico de alteração no código genético, no qual segmentos de genoma de tumor contém cópias extras de um pedaço de DNA ou perderam o segmento. Estas anomalias são conhecidas como SCNAs (sigla em inglês, alterações cópia número somáticas).

 

A maioria dos SCNAs não tem necessariamente papel significativo no crescimento do câncer, porém algumas são indicadores importantes.

 

O desafio consiste em saber quais são elas. Para o estudo, cientistas usaram 2.500 amostras representando mais de duas dúzias de cânceres, incluindo pulmão, próstata, mama, ovários, intestino, esôfago, fígado, cérebro e câncer de sangue. Em seguida, analisaram o DNA dessas amostras e combinaram suas informações, já disponíveis, de outras 600 amostras de tumores para montar um catálogo detalhado de SCNAs.

 

 

(Fonte: O Globo - 18/02/2010)

 

 

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