Abertura de capital da empresa deve ocorrer entre 2012 e 2013. Forte em genéricos, farmacêutica brasileira quer ampliar parcerias internacionais e investimento em patentes próprias
Maurizio Billi é um empresário avesso a aparições em público. Há duas décadas anos ele comanda a farmacêutica Eurofarma, fundada por seu pai Galliano em 1972, e são raras as entrevistas que concedeu.
Fotos, nem pensar. "Quem tem que aparecer é a empresa, não eu", diz de forma incisiva. Mas Billi não mede esforços para colocar sua empresa, hoje a quinta do ranking farmacêutico, em uma posição de destaque.
Sua meta é que a Eurofarma ocupe o terceiro posto no País até 2015, deixando para trás algumas das maiores multinacionais do mundo.
A estratégia para alcançar este objetivo está traçada. Envolve um plano de internacionalização, que lhe dará escala, investimento em P&D, parcerias estratégicas com laboratórios estrangeiros e a abertura do capital da empresa em bolsa.
Fora do cardápio de Billi, apenas a idéia de fusões e aquisições no Brasil. "Os ativos estão caros. Só quem está fora do mercado e muito disposto a entrar aceita comprar empresas aqui", afirma.
Sobre a idéia promovida pelo BNDES de formar uma mega farmacêutica verde-amarela, unindo os negócios da Eurofarma, Aché, EMS, Biolab e Hypermarcas, o empresário não enxerga perspectivas.
"Casamento não é fácil. É preciso ter um objetivo comum. E não há". Para ele, uma fusão destas empresas traria mais sobreposições de produtos do que oportunidades de sinergias.
Nem mesmo a oportunidade de unir esforços para investimentos em desenvolvimento de novos medicamentos é um motivo forte o suficiente. "Temos uma parceria com a Biolab para desenvolver produtos, sem precisar fundir operações", diz.
Na opinião de Billi, os laboratórios de origem nacional, em sua maioria empresas familiares, deverão percorrer o caminho da capitalização em bolsa para financiar seus projetos de pesquisa e expansão.
"A Eurofarma já está preparada para isso. De todas exigências legais, só ainda não formamos um conselho", relata o empresário, que pretende abrir o capital da empresa em 2012 ou 2013.
Em 2009, a Eurofarma registrou um crescimento de 22%, fechando o ano com um faturamento de R$ 1,2 bilhão. Deste total, 4% foram destinados para investimentos em P&D.
Neste ano, a companhia inicia um programa de avanço progressivo dos recursos que serão empregados em pesquisa, iniciando com 5% da receita até alcançar uma parcela de 15% do faturamento em 10 anos.
A empresa trabalha com duas frentes de pesquisas. A radical, que parte do zero, e a incremental, buscando um segundo uso para moléculas já conhecidas.
Em inovação radical, a empresa já conta com dois depósitos de patentes. Por meio de uma parceria com a Universidade do Vale do Itajaí, desenvolve um anti-inflamatório à base de extratos de folhas de aleurites moluccana, a nogueira-da-índia.
Em parceria com a PUC do Rio Grande do Sul, desenvolve uma droga para o tratamento da diabetes tipo II. Os medicamentos devem chegar ao mercado entre 2013 e 2014.
Na área de pesquisa incremental, Billi relata que há cinco projetos promissores. Mantendo seu jeito discreto, afirma: "ainda não é o momento de comentar sobre eles".
(Fonte: Brasil Econômico - 09/02/2010)
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