Segundo ministro da Saúde, o setor passou a ser o eixo da política industrial, e o BNDES incluiu, na agenda de prioridades de financiamento, o apoio ao complexo produtivo
O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, diz que o Governo passou a tratar a área de saúde como espaço para o desenvolvimento e produção de riquezas. Segundo ele, o Brasil não pode ficar de fora em áreas como nanotecnologia, novos materiais e robótica.
Embora esteja presente na política industrial desde o início do governo Lula, o setor de fármacos vem apresentando déficits expressivos. Por quê?
José Gomes Temporão: Nos anos 80, o Brasil era superavitário em insumos e princípios ativos para a produção de medicamentos.
Na década de 90, porém, houve a destruição deliberada da produção farmoquímica de capital nacional, e o Brasil passou a ser importador de matérias-primas.
De onde o Brasil mais importa esses produtos?
Temporão: Cerca de 30% do déficit vêm da China e da Índia. Grande parte das matérias primas se destina à produção de genéricos, que não são mais protegidos por patentes. No caso do Brasil, 20% do mercado são também genéricos, e isso tende a crescer ainda mais.
O que a China e a Índia têm que o Brasil não tem?
Temporão: China e Índia prolongaram o período de proteção de sua indústria nacional.
O Brasil, precocemente, aprovou uma lei de patentes que agravou ainda mais a nossa fragilidade. Mas o Brasil tem estabilidade econômica e 200 milhões de habitantes, que é um grande mercado. Temos uma agência reguladora, a Anvisa, e também segurança jurídica.
Qual a importância dos laboratórios públicos nesse processo?
Temporão: De um lado, servem como reguladores de mercado, porque temos um padrão de referência de preço e de qualidade. De outro, funcionam como um espaço de desenvolvimento de novas tecnologias e pesquisas.
O que está sendo feito para reduzir esta dependência?
Temporão: Criamos o Grupo Executivo do Complexo Industrial da Saúde, o GECIS, que abrange uma série de agências e ministérios e está elaborando medidas práticas, que permitam reduzir o déficit.
A saúde passa a ser o eixo da política industrial, e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) incluiu, na agenda de prioridades de financiamento, o apoio ao complexo produtivo.
Além disso, queremos que empresários chineses e indianos se estabeleçam no Brasil.
(Fonte: O Globo - 24/01/2010)
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