Laboratório começa processo de internacionalização que se dará inicialmente nos países do Cone Sul. No próximo ano empresa deverá destinar cerca de R$ 50 milhões para inovação
A Eurofarma, o quinto maior laboratório farmacêutico do Brasil, deu início ao seu processo de internacionalização. O grupo adquiriu este ano uma pequena unidade na Argentina e negocia a compra de laboratórios no Uruguai, Paraguai e Colômbia. As aquisições deverão ser concluídas nos primeiros meses de 2010, afirmou a executiva Maria Del Pilar Muñoz, diretora de sustentabilidade e novos negócios da companhia.
"Vamos apostar em nosso processo de internacionalização. Queremos cobrir 90% da América Latina até 2015", disse Maria Del Pilar, acrescentando que até lá a empresa deverá ter pelo menos mais cinco laboratórios farmacêuticos fora do Brasil. A internacionalização se dará inicialmente nos países do Cone Sul - Uruguai e Paraguai.
Ainda em 2010, poderá fechar negócio na Colômbia. Até 2015, a empresa também quer olhar negócios no Chile, México e Venezuela. "Ter presença regional (América Latina) é estratégica para a empresa", afirmou.
A unidade Quesada, da Argentina, foi o começo deste processo de "latinização". Essa fábrica, adquirida em agosto deste ano e com faturamento de cerca de US$ 8 milhões, tem foco em cardiologia e gastroenterologia.
A expectativa é de que a Eurofarma encerre este ano com faturamento bruto de R$ 1,2 bilhão. Se confirmadas as estimativas, será um crescimento de 20% sobre o ano passado. Para 2010, a empresa projeta receita de R$ 1,4 bilhão.
Segundo Maria Del Pilar, a empresa está concluindo um investimento de R$ 450 milhões na construção de seu complexo farmacêutico em Itapevi, na Grande São Paulo. Desse total, R$ 370 milhões já foram aportados. Essa unidade deverá receber mais R$ 80 milhões nos próximos meses, com conclusão em 2010. Esse complexo já funciona parcialmente desde 2007, explicou a executiva.
Em 2010, a empresa deverá desativar duas de suas cinco fábricas. As unidades de Campo Belo e de Interlargos, ambas na capital paulista, deixam de operar. A empresa vai manter sua unidade instalada na Freguesia do Ó, também em São Paulo, onde produz antibióticos, e a do Rio de Janeiro, onde produz medicamentos veterinários.
Também no próximo ano, a empresa deverá destinar 5% de seu faturamento líquido, cerca de R$ 50 milhões, em inovação. Neste quesito, a Eurofarma já está com pesquisas bem avançadas para o lançamento de dois novos medicamentos - um anti-inflamatório e um remédio para combater diabetes, com pesquisas em parceria com a PUC do Rio Grande do Sul, e Univali, de Santa Catarina. "A expectativa é de que possamos lançar esses medicamentos em 2013", afirmou. Serão os primeiros produtos de inovação radical próprios desenvolvidos pela companhia.
As pesquisas para o medicamento Resveratrol para diabetes não recebeu nenhum apoio governamental, segundo a companhia. O mercado de diabetes movimentou no Brasil cerca de R$ 12 milhões neste ano. Já o produto o Aleurites Molucana, em parceria com a Univali (anti-inflamatório) teve apoio de R$ 800 mil do CNPQ (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) e R$ 298 mil do Finep (Financiadora de Estudos e Projetos).
O grupo tem 18 marcas licenciadas, que respondem por 10% do faturamento da companhia, e não pretende licenciar outras no momento. As vendas de medicamentos genéricos representam quase 15% da receita da empresa. A companhia tem forte atuação na área de prescrição médica e atua praticamente em todas as áreas médicas, com ênfase em sistema nervoso central, ginecologia e antibióticos.
Fundada em 1972, originalmente como Billi Farmacêutica - nome da família controladora -, a empresa adotou o nome Eurofarma em 1993, após realizar aquisições durante os anos 80.
O grupo também tem priorizado as parcerias internacionais. Com Cuba, fechou acordo para importação do medicamento Cimaher, que é eficaz para tratamentos de câncer. "É para um tipo de doença (glioma pediátrico) de baixa incidência, mas com alta mortalidade", disse Maria Del Pilar.
Com o laboratório nacional Biolab, a empresa já tem uma parceria antiga para pesquisas incrementais. Ou seja, desenvolvmento e melhoramento de medicamentos a partir de drogas conhecidas. "Buscamos trazer diferencial com este tipo inovação", disse a executiva.
Maria Del Pilar afirmou que tem acompanhado o processo de concentração do segmento farmacêutico - o mais recente foi a aquisição da Neo Química, de Goiás, pela Hypermarcas. |