| | Segundo diretor da Softex, 57% das empresas de software investem regularmente em inovação, o que explica demanda superior. Brasil é centro das atenções e empresas devem aproveitar este momento
A pernambucana D´Accord Music Software produz jogos virtuais e programas que ensinam a tocar instrumentos musicais. Fundada em 2001, a empresa ainda possui faturamento pequeno, de R$ 800 mil por ano, mas já exporta seus produtos para 105 países. Na semana passada, a companhia recebeu uma aporte de R$ 1,6 milhão do Criatec, fundo de investimento de "capital-semente" que tem entre seus gestores o BNDES e o Banco do Nordeste (BNB).
Sócio e diretor-geral da D Accord, Américo Amorim negociou com vários fundos antes de fechar com o Criatec, que avaliou o projeto durante um ano e meio. "Também busquei os programas de subvenção, mas eles não apoiam ações de marketing e vendas. E para a empresa, não adiantava investir em inovação e ter dificuldades para vender", diz. Agora, a Accord planeja investir em um software de educação musical para escolas públicas. A companhia, que tinha dez funcionários, contratou mais 16 recentemente.
A Accord faz parte de um grupo de empresas que lidera a busca por recursos na área de TI: o setor de software. Levantamento da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) revela que, no ano passado, 40% dos projetos apresentados à instituição para obtenção de recursos vieram de empresas de software. O segmento foi seguido pelas empresas de equipamentos para telecomunicações (24%) e pela indústria de microeletrônica (15%). "A maioria dos pedidos são de pequenas e médias empresas", observa o chefe do departamento de tecnologia da informação e serviços da Finep, André Nunes.
O diretor de capacitação e inovação da Associação para Promoção da Excelência do Software Brasileiro (Softex), John Foreman, observa que em torno de 57% das empresas de software investem regularmente em inovação, o que explica a demanda superior à de outras áreas de tecnologia. O segmento encerrou 2009 com 67,9 mil empresas, 4,8% a mais que em 2008. E, apesar da crise, também registrou aumento em receita (de 7,9%, para R$ 44,5 bilhões).
"Houve uma melhora na oferta de recursos, mas a relação entre oferta e demanda ainda é desigual e esse desnível tende a crescer", diz Foreman. Para o executivo, a recuperação do mercado e o interesse das multinacionais em retomar o processo de aquisições vai forçar as empresas de software brasileiras a investir em crescimento e na melhoria de produtos. "O Brasil é centro das atenções e as empresas devem aproveitar este momento", afirma.
(Fonte: Valor Econômico - 08/02/2010)
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