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Entrevista: Rede de Entidades Tecnológicas Setoriais    03/02/2009

  Estudo sobre resultados do Edital Finep nos setores contemplados, cursos de projetos de inovação e de propriedade industrial e encontros setoriais estão na agenda da RETS para 2009

O conceito de Entidades Tecnológicas Setoriais (ETS) foi formulado pelo Governo para denominar organizações voltadas para gestão de atividades de pesquisa e desenvolvimento (P&D), qualificação e organização de informações tecnológicas setoriais e prestação de serviços técnicos, entre outras ações. Desde 1992, o Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) tem discutido a atuação das ETS - na articulação entre setor produtivo, institutos tecnológicos e agentes financiadores - buscando agilizar o atendimento às demandas tecnológicas de setores da indústria nacional. Mas o diálogo entre Governo e setor produtivo ainda é incipiente, de acordo com o diretor-geral da Sociedade Brasileira Pró-Inovação Tecnológica (PROTEC), Roberto Nicolsky. "O Governo tem tido boa vontade para dialogar, mas tem uma visão própria de desenvolvimento tecnológico e inovação que pode ser ineficiente", afirma.

Em 2006, a PROTEC recebeu do Ministério a incumbência de articular as ações das ETS em torno das demandas tecnológicas comuns a todos os setores. A Rede de Entidades Tecnológicas Setoriais (RETS) foi criada com o propósito de fortalecer as ETS existentes e estimular o surgimento de novas entidades. "Muitas ETS são subprodutos de associações setoriais, que estão mais voltadas para uma agenda reivindicatória, de sobrevivência. As demandas tecnológicas ficam em segundo plano, por isso é importante institucionalizar um projeto tecnológico na forma de outra entidade", explica Nicolsky. "A PROTEC e a RETS têm se dedicado a criar um ambiente de P&D nos setores, e para isso os eventos setoriais e os cursos de capacitação em projetos de inovação tecnológica e propriedade industrial são essenciais". Leia, abaixo, os principais trechos da entrevista com o diretor-geral da PROTEC.

 

 

Qual era o cenário das entidades tecnológicas setoriais quando surgiu a RETS?

 

Roberto Nicolsky: A primeira constatação, ao se criar a Rede, foi a de que havia uma grande diversidade de ETS. Não se pode falar em entidades tecnológicas setoriais em um sentido genérico da palavra, pois há ETS absolutamente diferentes em sua abordagem das demandas dos setores. Há ETS que, por exemplo, se preocupam fundamentalmente com a questão dos insumos importados, tarifas alfandegárias, o ambiente regulatório, e há outras ETS que se dedicam à capacitação profissional e à atualização de técnicos. Há uma terceira abordagem, mais tecnológica, como, por exemplo, a do Instituto Brasileiro de Tecnologia do Couro, Calçado e Artefatos (IBTeC), que desenvolveu um laboratório de ponta para análise do pisar para desenvolvimento de calçados.

 

 

Como é a atuação da RETS na identificação das demandas tecnológicas setoriais?

 

Nicolsky: Poucas entidades se dedicam a criar um ambiente de pesquisa e desenvolvimento em seus respectivos setores, e é para isso que a PROTEC e RETS têm se voltado. Em 2008, criamos um curso de capacitação de recursos humanos para desenvolvimento de projetos de inovação tecnológica (PIT), voltado para diversos setores e destinado não só à captação de recursos externos, mas também à organização, nas empresas, das atividades de P&D; realizamos, em 2007, um seminário de recursos para inovação nas empresas e um curso de capacitação em patentes e propriedade industrial. Entramos, em 2009, no terceiro ciclo de projetos, com a continuidade do curso PIT e dos cursos de capacitação em patentes e propriedade industrial - para isso estamos negociando um convênio com o Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI) - e vamos introduzir, na medida do possível, um site para divulgação de todas as informações sobre inovação tecnológica para as ETS, que será hospedado no portal da RETS. Vamos também realizar um estudo sobre os resultados que o edital de Subvenção Econômica da Finep está produzindo nos setores contemplados que fazem parte da Rede: saúde, biotecnologia, eletroeletrônica, energia e tecnologias da informação e comunicação. Futuramente, devemos criar um mecanismo de acompanhamento de patentes, que deve ser organizado de forma coletiva, para todos os setores.

 

 

Um dos pontos de atuação da RETS são os cursos de capacitação e os eventos setoriais. Qual é a importância dessas ações para a consolidação das ETS?

 

Nicolsky: Os eventos são fundamentais para que as ETS se institucionalizem na área de inovação. É preciso que haja um fórum em que as questões da inovação e de pesquisa e desenvolvimento tecnológico possam ser debatidas com os profissionais de cada setor, tanto das empresas quanto dos centros de P&D. Na primeira fase da RETS, realizamos três eventos: os Encontros Nacionais de Inovação em Fármacos e Medicamentos; em Eletroeletrônicos; e em Máquinas e Equipamentos (Enifarmed, Enicee e Enimep, respectivamente). Em 2008, realizamos apenas um encontro setorial, a segunda edição do Enifarmed, porque foi entendido que os outros setores ainda não estavam suficientemente maduros para terem um evento anual, o que nos levou a determinarmos uma freqüência bienal. Por isso, em 2009, devemos ter o segundo Enicee e o segundo Enimep, além do terceiro Enifarmed. Talvez, no futuro, venhamos a fazer encontros de outros setores, mas isso depende da demanda de cada área.

 

Na primeira fase da Rede, esperávamos alcançar, no final de um ano, uma associação de 12 entidades; no entanto, chegamos a 16 - e em 2008, chegamos ao número atual, 17. No momento,

 




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