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Inovações e P&D garantem sucesso de pequena empresa Uma pequena empresa inovadora pode conquistar grandes clientes. Quem garante é o engenheiro eletrônico argentino Martín Izarra, que pilota a brasileira Brapenta Eletrônica desde o final dos anos 1970. Depois de desenvolver aparelhos que detectam a presença de metais em alimentos, ele fechou contratos com corporações como a Perdigão e a Bunge. O carro-chefe da companhia sediada em São Paulo (SP) é a linha de detectores de metal Icelander, voltados para as indústrias químicas e de alimentos. As máquinas localizam qualquer tipo de metal em diversos materiais e já é usada em organizações como Votorantim, Perdigão, Wickbold e Bunge. Um outro produto da empresa é um mecanismo de controle de peso industrial. "Ele é necessário para dar as medidas corretas das mercadorias e evitar multas de fiscalização", explica Izarra. Em um de seus clientes, a Procter&Gamble, dona da marca Ariel de produtos de limpeza, a novidade é usada para checar a quantidade do sabão em pó vendido nos supermercados. Em julho, depois de cinco anos de estudos, a Brapenta deve lançar um outro equipamento de inspeção que detecta, por meio de raio X, contaminações sólidas em produtos alimentícios. O aparelho, batizado de Spectra, consumiu mais de R$ 2,5 milhões em pesquisas e pode garantir um retorno rápido ao empresário. Com preço de venda 40% menor que os similares importados, Izarra garante que há fila de espera para comprar o produto. A empresa tem mais de dez distribuidores no exterior e equipamentos instalados em mais de 30 países, como Austrália e Estados Unidos. Para chegar a esse patamar de expansão, Izarra adotou como estratégia o desenvolvimento de inovações tecnológicas que pudessem abrir novos mercados e atrair indústrias emergentes. Inicialmente, desenvolveu detectores de metais para os segmentos de segurança e mineração. Depois, conseguiu estruturar uma equipe de desenvolvimento e lançou detectores de metais de alta sensibilidade para as indústrias alimentícia e química. Desde 2000, trabalha dentro do sistema de qualidade ISO 9001 e, nos últimos dez anos, investiu cerca de 10% do faturamento anual no departamento de pesquisa. "Não só para criar novos produtos como para atualizar os itens de catálogo", diz. Para Izarra, a maior lição adquirida na direção da empresa foi sempre desenvolver soluções internamente ou com parceiros e ter o domínio do conhecimento para gerar produtos inovadores. Para o lançamento do novo detector de metais, o engenheiro contou com o apoio de quase 20 especialistas do Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares-(Ipen), da companhia de software JR e das empresas Kognitus e Inovax, que pertencem à incubadora do Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia (Coppe), da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Engenheiros bolsistas do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) também reforçaram o time de desenvolvimento. Dos R$ 2,5 milhões investidos no projeto, 70% foram bancados pela Brapenta e o restante veio de órgãos de fomento à inovação, como a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo-Fapesp e a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep). "Fizemos um plano de negócios antes de investir". Segundo o executivo, trabalhar com essas instituições também significa aprender uma habilidade pouco valorizada entre as empresas: como apresentar projetos de pesquisa que sigam conceitos mundiais de empreendedorismo e se preocupem com o resultado do dinheiro investido, além do impacto das invenções na sociedade. Para Izarra, o segredo do sucesso de uma empresa que corre atrás da inovação é criar linhas de desenvolvimento, baseadas em um plano de negócios formal. "Sempre de olho na combinação dos produtos existentes e dos mercados de atuação da companhia. Isso pode facilitar a venda de soluções integradas e não apenas a entrega de uma máquina."
(Fonte: Valor Econômico- 30/05/2008)
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