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Fármacos e Medicamentos

Notícias

Estímulo ao desenvolvimento da indústria farmacêutica nacional

Através de uma parceria conjunta entre os ministérios da Saúde e da Ciência e Tecnologia, a indústria farmacêutica nacional estará mais sólida nos próximos anos e menos dependente dos insumos internacionais. É que o País terá um Centro de Referência em Farmacologia Pré-Clínica, que funcionará em Florianópolis (SC). O centro apoiará a pesquisa, a inovação e estimulará a produção interna das indústrias farmacêuticas. De acordo com o convênio assinado entre a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e o Ministério da Saúde, a Fundação Certi receberá os recursos para a estruturação do projeto. Privada e sem fins lucrativos, a iniciativa formará acordos com outros centros de pesquisas para o desenvolvimento de matérias-primas e estudos nas áreas de toxicologia em roedores e não roedores, farmacodinâmica e farmacologia de segurança, além de ampliar a formação de especialistas para o setor de desenvolvimento de medicamentos.

 

A indústria farmacêutica brasileira importa insumos internacionais para fabricação de fármacos e novas drogas, o que gera aumento no preço dos produtos. Segundo especialistas, o País possui potencial de mercado, mas o investimento em pesquisas ainda é baixo comparado ao padrão dos países desenvolvidos e em desenvolvimento. Logo, o centro, que funcionará no Sapiens Parque, em Florianópolis, vai atrair novas empresas e gerar emprego e renda. A área tem cerca de três mil metros quadrados e abrigará toda a infraestrutura do projeto. Em entrevista, João Batista Calixto, diretor executivo do Centro de Referência em Farmacologia Pré-Clínica, argumentou que a iniciativa tornará o País, no âmbito tecnológico, suficiente e adequado para a produção de medicamentos. Falou, ainda, que um dos maiores desafios que o Brasil enfrenta é o déficit na balança comercial, devido, também, a importação de matéria-prima para a produção de fármacos. Segundo o coordenador, tornar o País habilitado para fabricação de remédios é uma questão de soberania nacional.

Qual o principal objetivo do Centro de Referência em Farmacologia Pré-Clínica?

João Batista Calixto - O Centro de Referência em Farmacologia Pré-Clínica (farmacodinâmica e toxicologia) foi uma iniciativa conjunta entre o Ministério da Ciência e Tecnologia e o Ministério da Saúde, com o objetivo de atender a demanda das indústrias farmacêuticas nacionais, para apoiar a pesquisa, o desenvolvimento e a inovação no setor farmacêutico nacional. Com a criação da Política Industrial Brasileira, que priorizou, dentre outros setores, Fármacos e Medicamentos, iniciou-se um importante processo que pretende propiciar ao Brasil desenvolver sua própria indústria, evitando, assim, a transferência de bilhões de dólares anualmente ao exterior, especialmente na importação de medicamentos e de seus princípios ativos. Além disso, a criação do centro irá contribuir para tornar o País tecnologicamente suficiente nesta área estratégica, ou seja, capaz de desenvolver medicamentos. Ainda estamos longe de atingir este objetivo, mas importantes passos estão sendo dados.

Quais os benefícios que o centro trará ao desenvolvimento do País?

Calixto - O Centro de Referência em Farmacologia Pré-clínica atuará como um agente promotor do desenvolvimento/melhoramento de produtos farmacêuticos, permitindo às indústrias farmacêuticas nacionais atingir o objetivo de inclusão entre os países produtores de medicamentos. Além disso, em um segundo momento, o centro terá uma incubadora de empresas para incentivar o surgimento de novas empresas de base tecnológica voltadas para esta área, alimentando, desse modo, um "ciclo virtuoso", que poderá influenciar diretamente a inovação no setor de fármacos e medicamentos, geração de empregos, e possibilitando o aproveitamento dos doutores formados no País nos últimos anos. O mercado farmacêutico brasileiro está entre os 10 maiores do mundo, contudo, ainda somos muito dependentes da importação de matéria-prima (princípios ativos), o que promove um grande déficit na balança comercial neste setor. Na última década, temos acompanhado esforços substanciais por parte do governo, incluindo renúncias fiscais, empréstimos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), financiamento dos fundos setoriais, Lei de Subvenção Econômica, Política Industrial, Tecnológica e de Comércio Exterior (PITCE), Lei de Inovação, dentre outros, na tentativa de estimular o crescimento do setor industrial brasileiro, entre eles, o farmacêutico. Todavia, um grande gargalo no que se refere ao desenvolvimento de medicamentos no Brasil é, sem dúvida, a falta de centros de pesquisa capazes de realizar estudos de toxicologia e farmacodinâmica de segurança dentro das condições de Boas Práticas de Laboratório exigidas pelos órgãos reguladores internacionais.

Como será a infraestrutura do Centro de Referência em Farmacologia Pré-Clínica?

Calixto - O centro está sendo construído no parque tecnológico (Sapiens Parque) localizado no município de Florianópolis (SC), possuirá, aproximadamente, 3.000 m2 (mais uma área destinada à construção da incubadora) e contará com áreas especialmente equipadas para atender às normas internacionais, além de equipamentos que permitirão o desenvolvimento de pesquisas pré-clínicas de alto nível e dentro dos critérios de boas práticas laboratoriais.

Qual o valor do investimento destinado ao centro?

Calixto - Depois de concluído, o centro devera consumir cerca de R$ 8 milhões.

Quais as parcerias que estão envolvidas para a estruturação do Centro de Referência em Farmacologia Pré-Clínica?

Calixto - Atualmente, contamos com o apoio do Ministério da Ciência e Tecnologia, através da Finep, Ministério da Saúde, Governo do estado de Santa Catarina, Fundação Certi e Universidade Federal de Santa Catarina.

Qual sua avaliação sobre a necessidade das indústrias farmacêuticas ainda dependerem da importação de matéria-prima de países mais desenvolvidos?

Calixto - Este é, sem dúvida, um dos maiores desafios a ser enfrentado, é o que tem gerado um enorme déficit na balança comercial brasileira. Além de importar esses produtos de países desenvolvidos, como Estados Unidos, Alemanha, Inglaterra etc., o Brasil também importa matéria-prima para fabricação de medicamentos de países em desenvolvimento, como a Índia e a China. Tornar o Brasil capacitado para produzir medicamentos essenciais é uma questão de extrema importância e mesmo de soberania nacional. As iniciativas estão sendo tomadas, o Governo federal tem participado deste processo e os passos iniciais estão sendo dados, mas este setor vai necessitar de uma política própria e de longo prazo, já que desenvolver medicamentos envolve, além de altos riscos, soma considerável de recursos financeiros, além de um longo tempo. Com certeza, teremos que enfrentar muitos desafios para virarmos esse jogo, mas devemos acreditar nisso. O Brasil, através do seu sistema de pós-graduação, vem, há várias décadas, formando mão de obra altamente qualificada, fator indispensável para o sucesso do programa de fármacos e medicamentos.

 

 

(Fonte: Revista Acesso - 30/07/2009)

 

 

 

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