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Fármacos e Medicamentos

Notícias

Combate a doenças endêmicas de nações pobres ganha incentivo

Um grupo de países ricos deve anunciar um programa inédito para incentivar as indústrias farmacêuticas a desenvolver vacinas para doenças endêmicas em nações pobres. O programa, de US$ 1,5 bilhão, é uma mudança de rumo perante outros esforços filantrópicos para melhorar o acesso a vacinas nos países em desenvolvimento.

 

Em vez de comprar remédios e distribuir, os doadores vão garantir para as farmacêuticas um mercado futuro suficientemente grande para justificar o desenvolvimento de vacinas novas tão necessárias em países pobres demais para comprá-las por conta própria.

 

Os doadores - Canadá, Itália, Noruega, Reino Unido, Rússia e a Fundação Bill e Melinda Gates - planejam anunciar a iniciativa hoje durante a reunião de ministros da Fazenda do G-8, segundo autoridades italianas.

 

O primeiro alvo será a infecção com pneumococo, que mata 1,6 milhão de pessoas no mundo por ano, a maioria crianças pequenas de países em desenvolvimento.

 

"É um grande passo para a saúde pública mundial", disse Orin Levine, professor de saúde internacional da Universidade Johns Hopkins (EUA) e veterano defensor do conceito de compra antecipada. Ele calcula que o financiamento às vacinas pode prevenir de 5 milhões a 8 milhões de mortes de crianças até 2030.

 

Os doadores, em cooperação com o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), Banco Mundial e a agência internacional de vacinação Gavi Alliance, vão se comprometer a comprar novas vacinas contra pneumococo que atendem a critérios específicos de segurança, validade e efetividade.

 

Os EUA defenderam entusiasticamente a compra antecipada depois que a Itália e o Reino Unido começaram a propor a ideia há quatro anos, mas nunca fizeram nenhuma contribuição. O programa está nos planos há algum tempo e seu início foi atrapalhado por uma série de problemas judiciais.

 

Os doadores escolheram a infecção por pneumococo, em vez de malária, HIV, tuberculose ou outras doenças infecciosas, em parte porque há boas chances de novas vacinas contra essa enfermidade chegarem ao mercado em 2010.

 

O pneumococo (Streptococcus pneumoniae) é uma bactéria que pode causar pneumonia, infecção generalizada e meningite, e acredita-se que mate por ano até 1 milhão de crianças abaixo de cinco anos, diz a Organização Mundial de Saúde. Existem vacinas nos EUA e na Europa que podem prevenir a infecção, mas não podem ser usadas contra as cepas prevalecentes no mundo em desenvolvimento.

 

Levine disse que as farmacêuticas não têm incentivo suficiente por conta própria para desenvolver vacinas que previnam mortes em países pobres.

 

Construir uma fábrica de remédios custa entre US$ 200 milhões e US$ 300 milhões, sem contar a despesa de desenvolver novos medicamentos. Em geral, as vacinas chegam aos países em desenvolvimento de 10 a 15 anos depois de se tornarem amplamente disponíveis nos países ricos, segundo relatório recente de uma comissão do Parlamento britânico.

 

"Normalmente as farmacêuticas não têm muito interesse em investir nesse tipo de pesquisa, já que os países em desenvolvimento não têm recursos para comprar essas vacinas", afirmou o Ministério da Economia e Fazenda da Itália num comunicado descrevendo o programa.

 

Pelo menos duas empresas, a Wyeth e a GlaxoSmithKline, já indicaram interesse na iniciativa. A Wyeth, que produz uma vacina contra pneumococo já disponível nos EUA, estuda desenvolver uma nova vacina, disse um porta-voz.

 

A Glaxo pode usar o financiamento do programa para aumentar a fabricação e distribuição de uma vacina sua já existente, segundo um porta-voz da farmacêutica.

 

 

(Fonte: Valor Econômico - 12/06/2009)

 

 

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