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Artigos

O alçapão da economia neocolonial

27/07/2017 - ROBERTO NICOLSKY, físico, professor aposentado da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), é diretor-presidente da Protec (Sociedade Brasileira Pró-Inovação Tecnológica)

Temos vivido, nos últimos anos, uma profunda recessão que fez o PIB do país desabar. O reflexo social de tamanha crise é brutal. Mais de 14 milhões de brasileiros estão desempregados -se somados aos que já nem procuram emprego, chega-se ao assombroso número de 20 milhões de pessoas com nenhuma ou pouca atividade econômica.

 

Surgem agora indícios de uma lenta retomada da economia, puxada pelo crescimento das exportações das nossas commodities, principalmente a soja e o minério de ferro, cujos preços voltaram a subir no mercado mundial.

Claro que isso é muito positivo, principalmente se trouxer por consequência uma expectativa de mais confiança em nosso futuro.

 

Entretanto, é essencial olhar para o outro lado dessa questão. Uma vigorosa exportação de commodities agrícolas e minerais, sem a contrapartida de importação de insumos para a nossa indústria, resultará em elevados saldos comerciais com crescente oferta de dólares no mercado interno, provocando a valorização do real.

 

Dessa maneira, os preços de nossos produtos industriais se elevarão em dólares e a indústria perderá a sua competitividade. Mais desemprego e perda da renda serão as consequências.

 

Esse fenômeno é chamado de "doença holandesa" pelos economistas, porque aconteceu na Holanda por volta de 1960, quando a exportação exacerbada de gás levou a uma desastrosa valorização do florim (moeda do país na época). Esse é o alçapão que já nos pegou algumas vezes e do qual devemos agora tentar escapar.

 

Precisamos criar condições para aumentar a competitividade dos produtos de nossa indústria. Isso demandará processos mais eficientes, baixar custos e agregar novas qualidades aos produtos.

 

De tal método se valeram os países que crescem rapidamente, como Coreia do Sul, China e, mais recentemente, a Índia. E todos partiram de economias muito mais pobres do que a nossa.

 

Tome-se, por exemplo, o caso indiano. Em dezembro de 1995, promulgou-se uma lei que criava estímulo para as indústrias inovarem, processo financiado por um "capital de risco" do Conselho de Desenvolvimento Tecnológico. O resultado foi impactante. De lá para cá, o PIB indiano cresceu 4,4 vezes, tornando-se a sétima economia do mundo, enquanto o brasileiro aumentou apenas 2/3, ficando em nono lugar.

 

Os países aqui citados compartilharam o risco das inovações com a sociedade e seus empreendedores industriais e de software -as micro, pequenas e médias empresas-, investindo capital no processo de melhoria contínua. Criou-se, assim, uma alavanca aceleradora da economia.

 

Nós também poderíamos ter vivido esse processo. Faltou a decisão dos governos de tornar a sociedade parceira da sua parte empreendedora. Não há também esperança de que o governo o faça nas circunstâncias atuais.

 

Por outro lado, precisamos crescer sem ficar presos, mais uma vez, ao alçapão da economia neocolonial produtora de matérias-primas naturais e primárias. A saída é a própria sociedade se mobilizar, cobrando do Estado a coragem e a ousadia necessárias neste momento.

 

 

 

(Fonte: Folha de S. Paulo – 27/07/2017)

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