Rio de janeiro
Agenda Inovação Setembro -   Outubro    -     Novembro   Avançar Voltar 2017 -   2018 Avançar
  • S
  • S
  • D
  • S
  • T
  • Q
  • Q
  • S
  • S
  • D
  • S
  • T
  • Q
  • Q
  • S
  • S
  • D
  • S
  • T
  • Q
  • Q
  • S
  • S
  • D
  • S
  • T
  • Q
  • Q
  • S
  • S
  • 01
  • 02
  • 03
  • 04
  • 05
  • 06
  • 07
  • 08
  • 09
  • 10
  • 11
  • 12
  • 13
  • 14
  • 15
  • 16
  • 17
  • 18
  • 19
  • 20
  • 21
  • 22
  • 23
  • 24
  • 25
  • 26
  • 27
  • 28
  • 29
  • 30

Artigos

Confiança pode mudar os cenários para a atividade em 2016

02/12/2015 - Bráulio Borges é economista-chefe da LCA e pesquisador-associado do Ibre-FGV

O IBGE revelou que o PIB seguiu em contração no 3º trimestre deste ano, transformando a recessão atual - iniciada no 2º trimestre de 2014, segundo o Codace/FGV - na mais prolongada desde a observada entre o começo de 1998 e o de 1999. A retração acumulada do PIB desde o "pico", no 1º trimestre do ano passado, chegou a quase 7%, em termos dessazonalizados.


Diante desse quadro e da ausência de sinais contundentes de estancamento ou reversão da retração da atividade, as projeções de consenso vêm caminhando rapidamente para uma expectativa de nova retração relevante em 2016: partindo de queda de pouco mais de 3% neste ano, a mediana das projeções aponta recuo de pouco mais de 2% no próximo ano - e já são muitos os analistas esperando uma repetição, em 2016, da taxa verificada em 2015.


Um dos principais elementos sustentando esses prognósticos é o baixíssimo nível de confiança de consumidores e empresários. Como aponta o gráfico, há correlação muito elevada entre confiança - uma média simples entre a confiança nacional da indústria e a confiança do consumidor em São Paulo, as séries mais longas disponíveis - e a variação do PIB. Não obstante, o mesmo gráfico aponta descolamentos importantes em períodos relativamente prolongados: na virada da década de 90 para a de 2000, a variação do PIB parece ter sido bem mais forte do que o sugerido pelo nível de confiança; entre 2010 e 2013, ocorreu o oposto.


Assim, embora a correlação seja bastante elevada, a relação entre essas duas variáveis - nível de confiança e variação do PIB - não é constante ao longo do tempo. Foi isso que motivou a elaboração dos exercícios apresentados a seguir. Foi construída uma distribuição conjunta de probabilidades entre variações do PIB e níveis de confiança, definindo frequências relativas para combinações de intervalos relativamente estreitos para cada uma dessas variáveis. Essa distribuição sinaliza que:


* Caso a confiança permaneça estável, nos níveis atuais, até o fim do próximo ano, o valor esperado para a variação do PIB em 2016 seria de algo entre -2% e -3%, com quase 67% de chance de recuo entre -3% e -6%;


* Caso a confiança volte, até o fim de 2016, ao nível médio observado em junho-julho de 2015, a variação esperada para o PIB no próximo ano ficaria entre -1,8% e - 0,8%, com cerca de 63% de chance de variação entre -1% e +1%; e


* Caso a confiança convirja, até o fim de 2016, para o nível médio observado no primeiro semestre deste ano, a variação esperada para o PIB ficaria entre -0,3% e +0,7%, com cerca de 53% de chance de variação positiva. Com efeito, movimentos relativamente modestos da confiança, dentro do terreno claramente pessimista (abaixo do limiar de 100), podem gerar grandes mudanças no crescimento do PIB em 2016.


É importante notar que esses exercícios assumem que a confiança é totalmente exógena, quando, na verdade, testes econométricos apontam a existência de relação de dupla causalidade entre a confiança e a variação do PIB. Não obstante, é bastante razoável admitir que a confiança seja mais exógena do que o PIB, por uma série de fatores. Logo, a questão que emerge é a seguinte: para onde deverá caminhar a confiança nos próximos trimestres?


Uma pista pode ser dada pelo comportamento esperado para a taxa de câmbio nominal, uma vez que há correlação negativa (inversamente proporcional) bastante forte entre nível de confiança (de consumidores ou empresários industriais) e taxa de variação R$/US$ (em relação a igual período do ano anterior).


Nas mentes de boa parte dos agentes, depreciações cambiais acentuadas e duradouras estão associadas a incertezas crescentes quanto ao futuro, além de gerarem corrosão do poder de compra; valorizações expressivas, por sua vez, em geral refletem um período de bonança, além de gerarem um barateamento relativo de vários bens. Não é à toa que a história do Brasil e mesmo de outros países mostra que "populismo cambial" geralmente ganha eleição.


Desse modo, caso a R$/US$ não se deprecie muito mais entre agora e o fim de 2016 (permanecendo na faixa de R$ 3,80 a R$ 4 nesse horizonte), é bastante provável que a confiança dos agentes apresente alguma melhora ao longo de 2016 - como, aliás, essas variáveis ensaiaram fazer nos últimos meses, ainda que de forma claudicante.


Caso, contudo, a R$/US$ caminhe para perto de R$ 4,50 ou mais, pode-se esperar uma virtual ausência de recuperação da confiança (ou até mesmo piora, a depender da intensidade e rapidez dessa nova rodada de depreciação).


E para o câmbio, o que esperar? Os acontecimentos das últimas semanas sugerem que o início do processo de normalização da política monetária dos EUA ainda em 2015 não deverá gerar grande volatilidade da cotação cambial, conquanto o Fed siga sinalizando um processo bastante gradativo (com juros voltando ao nível neutro mais perto do fim desta década).


Por outro lado, os eventos domésticos, sobretudo nas esferas fiscal e política, são aqueles que tenderão a ditar o rumo da percepção de risco brasileira e, consequentemente, da cotação cambial. O CDS (seguro contra calote) brasileiro hoje já embute implicitamente uma classificação de risco dois degraus abaixo do investment grade - embora "oficialmente" o Brasil só tenha perdido um grau de investimento - e as contas externas estão melhorando rapidamente (com o déficit em conta corrente saindo de quase US$ 120 bilhões/ano em meados de 2014 para perto de US$ 50 bilhões/ano nos últimos meses, em termos dessazonalizados). Com efeito, sob esse prisma, parece haver mais espaço para alguma melhora do que para piora adicional do risco e da cotação cambial.


Entretanto, a única agenda que parece ter o potencial de deflagrar essa eventual correção favorável da percepção de risco é a agenda fiscal - principalmente a de médio e longo prazos, uma vez que boa parte dos analistas sabe que obter um primário elevado em ano de recessão é bastante difícil.


Desse modo, o Governo deveria começar a dar mais ênfase para questões como a reforma da previdência, não empurrando isso somente para depois do ajuste de curto prazo. É nesse contexto que o ajuste fiscal de médio e longo prazos pode, de fato, representar um ajuste expansionista.



(Fonte: Valor Econômico – 02/12/2015)

Destaques

11º ENIFarMed

Livro Branco da Inovação Tecnológica

Inova Talentos

Instituições Associadas

ABIFINA
ABIMO
ABINEE
ABIQUIM
ALANAC
FIEMG
IPD FARMA
SEBRAE