15/1/2010 • • Luis Nassif
Publicação:Último Segundo
Um dos grandes desafios nacionais é a disseminação dos conceitos de inovação para pequenas e micro empresas. Nos anos 90 houve enorme discussão sobre o papel das universidades e das empresas na busca da inovação. Na época, o então presidente da Fundação de Amparo e Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) Britto Cruz sintetizou de forma definitiva o papel dos agentes. À universidade cabe formar pessoas, pesquisar a fronteira do conhecimento. Mas inovação se dá no âmbito das empresas.
Em cima dessas discussões, instituições de financiamento de pesquisa começaram timidamente a oferecer financiamentos a empresas. Antes disso, o financiamento era exclusivamente para pesquisadores acadêmicos.
Mesmo assim, avançou-se pouco nessa área. Permanece um enorme fosso entre universidade e empresas. Mais ainda entre universidades e pequenas e micro empresas.
A inovação não é a prospecção das fronteiras do conhecimento, como pretendem alguns. Faz-se inovação não apenas no desenvolvimento de produtos, mas na melhoria de processos, no aprimoramento da comercialização, na forma de atendimento aos clientes.
Mas os mecanismos públicos de promoção do financiamento às pesquisas ainda continuam presos a um dilema corporativista.
De um lado, reconhece-se a importância do financiamento às empresas. Mas criaram-se barreiras enormes, para garantir que a maior fatia dos financiamentos fique com pessoas ligadas às universidades.
A primeira barreira é na falta de divulgação maior das linhas de financiamento disponíveis. O segundo, na preparação do projeto - que exige um grau de sofisticação que não existe no âmbito das pequenas e micro empresas.
O terceiro, na própria seleção de projetos. Um projeto que tenha um pesquisador ligado ao grupo acadêmico da instituição financiadora tem muito mais possibilidade de ser aprovado do que outro sem padrinhos.
Do mesmo modo, as inúmeras incubadoras de empresas existentes privilegiam o empresário oriundo da universidade. Se aparecer um técnico criativo e competente, com um produto promissor desenvolvido - mas sem titulação acadêmica - dificilmente terá acesso aos serviços de uma incubadora.
Fora dos financiamentos, há enormes barreiras para a apropriação pelos empresários do conhecimento desenvolvido pelos institutos de pesquisa.
Tome-se o caso do Instituto de Pesquisas Tecnológicas de São Paulo (IPT). Ele possui um serviço SOS Tecnologia. Uma pequena empresa que necessitar de um apoio tecnológico de urgência contata o serviço e eles resolvem com presteza. Em geral o problema é comum a outras empresas do mesmo setor. Mas não se organizam essas soluções em bancos de dados acessíveis para consulta dos empresários, ou que permitissem a massificação das soluções encontradas.
Tem pior. Muitas pesquisas úteis poderiam ser aproveitadas por diversas empresas. Mas elas não são expostas nos sites desses institutos. A sociedade fica sem saber sobre os avanços que poderiam ser democratizados. Mas, nos subterrâneos, existe uma próspera indústria de consultores comercializando pesquisas desenvolvidas com recursos públicos.
Luis Nassif é jornalista |